LUIZ GERALDO MAZZA
Juízo final
Uma eleição só é verdadeiramente boa quando o seu resultado gera a impressão de que soou o juízo final para os derrotados. Isso normalmente não passa de mera impressão porque atos de ruptura obviamente enfrentam resistências tanto na Capital como em Ponta Grossa, Londrina e Maringá ou Cascavel, em que o fato novo e de vigor petista é o professor Lemos.
Londrina, agredida pelo pior dos populismos, o que contrasta com seu agudo senso de participação cívica (que já derrubou prefeitos e afastou vereadores), não indica que terá alteração muito forte em relação aos hábitos recentes; já Maringá testa o grupo dominante da oligarquia Barros com apoio do governador e abre caminho para um novo bastião petista e em Ponta Grossa dois deputados de boa envergadura, Marcelo Rangel, PPS, e Péricles Holleben de Melo, PT, testam forças em um choque do oficialismo e da oposição, que sai revigorada do pleito, principalmente na hipótese de levar a melhor em Curitiba com Fruet.
Estruturas estabilizadas, como de certa forma ocorre com essas cidades, tornam extremamente difícil a tal ruptura. Isso porque são fincadas em bases contratuais bem assentadas como se dá com as concessões a que tenho me referido. Algo bem expresso pelo sistema de transporte público da Capital e também pela armadura dos contratos do pedágio confiada a uma guarda pretoriana de advogados que figuram entre os maiores do País.
A falsa ruptura
Há casos de falsa ruptura como a do ''baixa ou acaba'' de Roberto Requião relativamente ao pedágio. Quem deu, no caso, o golpe de malandro de parque foi Jaime Lerner e não ele ao fazer o corte linear de 50% nas tarifas que afinal lhe garantiu a vitória, pois ficou evidente a certeza que tinha de que a justiça corrigiria a jogada política. Como quem foi duramemnte golpeado, perdendo o pleito já no primeiro turno, Requião repicou, na eleição seguinte, com a bandeira ameaçadora de baixar ou acabar aquilo que sabia de antemão que jamais conseguiria diante de contratos leoninos, é verdade, mas rigorosamente bem amrrados. No plano das cidades menores não há questões tão candentes como as de Curitiba relativamente a concessões públicas.
Aqui, porém, ficou tão claro que insistir no monocórdio combate ao cartel do transporte coletivo, às operadoras do lixo, aos locadores de veículos dá em nada que o único jeito é não insistir em algo transformado em muralha pelo ceticismo da maioria absoluta da população. Se quer surpreender que o faça no andamento da gestão como Ney Braga, primeiro prefeito, ao praticamente criar as empresas que explorariam o sistema de transporte coletivo aquele tempo partilhada pelos autolotações que não tinham compromisso de horário e de frequência e muito menos de carga de passageiros.
Reside aí a esperança: uma arrancada de austeridade que por princípio imponha a remoção dos obstáculos, ainda que orgânicos e tradutores do compadrio que marca o comportamento mais abrangente da sociedade na relação mais dramática do público-privado. Soa inclusive irônico falar nessas relações como novidade quando aqui elas se fazem presentes nas diástoles e sístoles do sistema.





