LUIZ GERALDO MAZZA
Debates e pesquisas
A caça aos indecisos, parte da estratégia final da campanha de segundo turno, estará ligada ao corpo a corpo e também obviamente ao que disserem as pesquisas e os debates. Tudo tenderá à dramaticidade se houver perspectiva de reversões do quadro até hoje apresentado. Para o governador Beto Richa há a esperança de ganhar em Londrina, Maringá, Ponta Grossa e Cascavel, o que em hipótese alguma reduzirá o peso de sua acachapante derrota em Curitiba. Jogou na base de interesses personalíssimos e não na do partido, o PSDB, e ficará na dependência de aliados como Ricardo Barros em suas investidas futuras, quase numa posição de refém.
Já o PT, revigorado, apesar do mensalão (que não exerceu a mínima influência no processo), surge com chances de recuperar espaços que já lhe pertenceram e de ganhar Cascavel. Curiosamente se o PT ganhar São Paulo, por exemplo, soará como uma revanche política à derrota jurídico-institucional do mensalão, como seu principal líder, Lula, tem proclamado. Em Curitiba o PT percebeu que deve apostar as suas fichas em Fruet, valendo-se da capilaridade do partido e de suas organizações de base nessa arrancada final. Já Ratinho Junior acredita no seu desempenho nos próximos debates, o primeiro da Record ontem, e nas futuras pesquisas, bem como na ação de massas.
Fajuta
Apesar de mesmo bloqueada judicialmente pelo TRE uma pesquisa Vox Populi-Band é explorada nas redes sociais, o que demonstra a precariedade da fiscalização e também o empenho em forçar o aspecto indutor das sondagens.
Anti-autonomia
Num momento em que instituições do governo e do empresariado apostam na força do ''empreendedor'' o Ministério Público do Trabalho (célebre por desastrada intervenção no Natal do HSBC, vale dizer de Curitiba) baixou no pessoal da área de salões de beleza tirando-lhes níveis de autonomia em nome, como sempre, da regulação. Obviamente isso está longe de ser uma atividade liberal, mas que encontrou na prática formas de melhor remuneração.
Imitando Requião
Requião, quando governador, criava as maiores dificuldades para a integração do sistema de transporte, valendo-se da Comec para afetar as tarifas e mantê- las deprimidas. Como o subsídio termina (alcançando R$ 60 milhões) em maio e o contrato coletivo estoura em fevereiro dá para imaginar situação ruim para a prefeitura e quem levar o troféu. Beto Richa fez carreira em cima de tarifa ao mantê-las congeladas por cinco anos.
Crise
Uma das empresas que atende a Grande Curitiba, Mercês, atravessa crise aguda e de outro lado a Urbs não assina o aditivo do híbrido, trambolho caríssimo e de pura propaganda: há 30 produzidos e apenas 10 circulando. Mais herança, além das obras paradas, da gestão de Luciano Ducci.
Folclore
Governo é incapaz de terminar a Linha Verde, não sabe o que fazer com o híbrido (custo operacional elevado) e insiste em prometer o metrô.





