Limite paroquial

O pleito de Curitiba só não se compara ao de São Paulo por causa do enraizamento da disputa entre Lula, no caso representado por Fernando Haddad, e José Serra, reprisando confrontos presidenciais. Para os dois lados é um desafio essencial quanto à sucessão nacional. Já o de Curitiba é mais modesto porque o seu horizonte, embora a derrubada do grupo hegemônico de 22 anos, se cinge aos limites regionais.

Felizmente agora aquela rematada exploração da mudança de lado - o papel relevante de Fruet na CPI do mensalão - já não tem como prosperar. Ainda recentemente o ministro relator Joaquim Barbosa, do STF, ao detalhar as ações relevantes dos parlamentares, destacou o papel exercido tanto por ele como por Serraglio. Ironicamente os padrinhos da candidatura de Gustavo Fruet, que aliás a viabilizaram, são os ministros Gleisi Hoffmann, presumível candidata ao governo em 2014, e Paulo Bernardo, o que garante, agora sim, o pleno engajamento do PT na campanha e quem sabe até seduzindo outras forças vinculadas à aliança nacional que sustenta o governo Dilma Rousseff. Espera-se que os concorrentes façam aquilo que não fizeram no primeiro turno: o debate das questões essenciais de Curitiba, das quais o metrô os coloca em campos diferenciados já que Ratinho é entusiasta do modal e Fruet apresenta severas restrições.

Compra de votos

Em Paranaguá o inusitado: a vereadora eleita, Clarissa Castilho, teria se comprometido a pagar por votos obtidos e tirou o time. A massa, querendo a grana, o que também é crime, foi protestar diante da casa dela que agora corre o risco de perder o mandato, se tudo ficar provado.

Realinhamento

É hora de realinhamento de forças para o segundo turno: o PMDB optou por Ratinho Júnior e o comunicado, feito pelo senador Requião, apenas acentuou a notória divergência com Gustavo Fruet. Este buscou ser candidato a prefeito duas vezes no PMDB: na primeira perdeu para o irmão do governador, Maurício Requião, e na segunda para o candidato do PT, Ângelo Vanhoni, que encabeçou a chapa do partido.

Já o ex-governador e prefeito de Curitiba Jaime Lerner ficou com Fruet. Nesse caso a impressão é que Fruet levou a melhor.

Folclore

Nem em espirituosidade vamos bem: ontem na Câmara Municipal de Curitiba, o vereador Prof. Galdino propôs que a Casa apoiasse projeto na Câmara Federal que obriga profissionais de Rádio e Televisão, quando candidatos, a se afastarem de suas atividades no mínimo por um ano. Repique do fato de ele ter perdido o posto de mais votado para o comunicador Cristiano Santos. O espírito de corpo funcionou: vereadores radialistas foram pra cima do proponente. Um deles sugeriu que impedissem o candidato de sair de jaleco, bicicleta e megafone na campanha eleitoral.

Mensalão

Reiniciado ontem o julgamento do mensalão deu para perceber que em São Paulo o tema será um dos divisores de água da campanha. Haddad argumenta que o DNA do mensalão é tucano. E é de fato. Só que o PT lhe deu uma escala gigantesca.

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