LUIZ GERALDO MAZZA
Mensagens do pleito
Primeira indicação: O mensalão, nem direta ou indiretamente, influiu nos resultados, tanto que Eduardo Paes, quase tão militante quanto os nossos Omar Serraglio e Gustavo Fruet na causa, embora hoje ligado ao lulismo, venceu a eleição no Rio de Janeiro com 64,6% dos votos no primeiro turno. Também o desempenho de Fernando Haddad, causa assumida pelo ex-presidente em São Paulo, o confirma no seu empate técnico com José Serra, este com 30,75% e ele com 28,98%. Melhor para democracia que o Judiciário cumpra seu papel institucional sem que isso influa na contabilidade eleitoral.
Segunda indicação: PT e PSDB fazem uma disputa plebiscitária apenas em São Paulo, já que o PMDB foi quem elegeu mais prefeitos no país, posto que menos do que em 2008 quando emplacou 1193 prefeitos contra 986 nesse ano.
O PT, nem de longe desgastado pelo mensalão, faturou quase 600 prefeituras, 9% a mais do que há 4 anos. Já o PSDB, presumido beneficiário do mensalão, elegeu 672 prefeitos contra 787 em 2008, queda de 14,6%. De todos quem mais cresceu apesar da derrota em Curitiba foi o PSB com 8,4 milhões de votos (a anterior somou 5,7 milhões) e 36% em número de prefeituras de 318 para 419, feito inegável do governador de Pernambuco, Eduarco Campos, tão presidenciável quanto Aécio Neves pela vitória em Belo Horizonte com a reeleição esmagadora de Márcio Lacerda.
Terceira indicação: um dos piores desempenhos dos institutos de pesquisa foi no Paraná que não captaram a ascenção de Fruet que colocavam sistematicamente fora do páreo, ainda que ostentando a menor taxa de rejeição de todos os candidatos, enquanto a de Luciano Ducci chegava nos 28% enquanto sua credibilidade mal atingia os 27%.
Entre institutos de pesquisas e os de beleza a diferença essencial: a de que a maquiagem numa é regra e no outro indisculpável desvio.
Derrota Inegável
Ao deixar de competir com candidatos do seu partido nos maiores colégios eleitorais, Beto Richa expôs-se severamente a riscos como o ocorrido na capital. O desempenho de Gustavo Fruet mostra que, dentro do PSDB, era o postulante ideal até pela liderança obtida em Curitiba na eleição majoritária do Senado. Da mesma forma que isolou Fruet age no sentido de marginalizar Alvaro Dias, estreitando-lhe os espaços, a despeito de ser uma das maiores expressões do Senado como líder nacional da oposição.
Da mesma forma que seu antecessor, Roberto Requião, coloca a sua visão pessoal, particularíssima, na montagem das alianças. Como Requião que sendo do PMDB optou pelo Vanhoni, do PT, em prejuízo de Fruet, apostou tudo no seu vice de prefeitura, depois transformado em prefeito, no candidato a reeleição. É o grande derrotado do processo.
Há palacianos que insistem em atribuir-lhe condição de liderança nacional do partido e com perspectiva até de alistar-se como presidenciável, circunstância remota, prejudicada por esse personalismo desagregador que lembra ao menos em parte o do seu antecessor.





