LUIZ GERALDO MAZZA
Omissões generalizadas
Na campanha eleitoral houve omissão no exame de problemas cruciais das cidades: em Londrina, por exemplo, se discutiu com profundidade a sua perda de expressão, em termos notadamente econômicos, como segundo polo urbano? Quando vejo a política de investimentos do Paraná privilegiando a Grande Curitiba e o eixo industrial que a liga a Ponta Grossa, sinto que não há mais aquele espírito guerreiro dos tempos da cafeicultura quando a cidade reagia, de alguma forma, ao deslocamento de recursos para a Capital, como se deu no curso das celebrações do centenário em 1953. Lembro até de um movimento seccionista que pregava o surgimento do Estado do Paranapanema abrangendo a região produtora do café e havia a piada de que o resto do Paraná, mormente o Sul, seria o Paraná Pamonha nos levando a diversificar nossa alimentação à base de pinhões também com milho. Recordo a propósito das alquimias culinárias de minha mãe que produziu um bolo à base de pinhão e milho.
Londrina elege um governador pela terceira vez já que os tivemos com Richa pai, Richa filho e Alvaro Dias, isso sem considerar o mandato tampão do José Hosken de Novaes. Politicamente é ativíssima, pois, mas na prática sofreu a perda de dinamismo sem qualquer compensação e não se vê uma hipótese séria de proposta que ao menos fixe um dique para tantas perdas. Uma das derradeiras cruzadas pleiteando um novo tempo para Londrina foi a do jornalista Tadeu Felismino que brigava pela opção da inteligência quando a revolução dos computadores nem estava engatilhada. Recentemente apenas aquele rumor, provocado por Ricardo Barros de uma aliança Londrina-Maringá para investimentos e que pretendia capturar a Foxcom e que não deu certo.
Plenitude gástrica
E Curitiba foi alvo de alguma discussão sobre sua posição estratégica tão provocada pelo pacote da Dilma Rousseff sobre logística e infraestrutura? Tudo aquilo que, em termos de fatores locais, a beneficia e promove seu adensamento industrial e de serviços é dado também como pronto, embora suas deficiências notórias.
Claro que isso aí é discussão pra gente grande, pois o que interessa é o varejo de prometer casa para favelado (a fila da Cohab é uma desmoralização e razão para que muitos que esperam percam a paciência e invadam, como sempre respaldados por políticos travestidos de sem terra), escola e creche pra todo mundo, transporte de graça (na resposta negativa o ato revolucionário-escoteiro dos pula-catracas da área estudantil), enquanto a cidade sucumbe por falta de aparato de saneamento tão bem posto em destaque com a denúncia de que a Sanepar é a maior poluidora da bacia hidrográfica não apenas do Iguaçu.
Dá a impressão que a lavagem cerebral condicionou boa parte dos curitibanos da cidade inquestionável e quem deseja discuti-la é um bárbaro, que a odeia, quase uma espécie de ame-a ou deixe-a pós golpe. Essa imaginação de povo em plenitude gástrica e aberto a todos os sonhos, clichê basbaque, está aí e ainda tem força para decidir uma eleição, o que é um atraso piramidal.
Gastamos tempo e dinheiro em filigranas na campanha eleitoral, mas jamais nos ocupamos de problemas essenciais com os agentes políticos mais preocupados com a ampliação da Baixada do que com a atrofia do aeroporto de Afonso Pena.





