LUIZ GERALDO MAZZA
Pesquisas, a questão
Não há uniformidade no decisório da Justiça Eleitoral sobre pesquisas, em alguns casos a impugnação é aceita e noutros não. Há casos em que a liberação é tão tardia que torna os resultados bons apenas para quem está na frente, pois o flagrante é desatualizado. Beto Richa se elegeu governador bloqueando pesquisas, de forma sistemática. Ou as temia ou procurava manter a militância ligada e com isso assegurar apoios políticos e financeiros.
Londrina teve uma pesquisa impugnada, depois de divulgada, mas com severa proibição de reproduzí-la quando Inês já tinha batido a cassuleta. Em Curitiba a TV deu o resultado de uma em tempo de abortar o pedido de impugação nervoso de uma coligação. E sem punição pelo bloqueio porque não houve tempo para a intimação da emissora.
Ontem, em Curitiba, a coligação de Fruet tentou impugnar o DataFolha e não obteve êxito porque o pedido acabou rejeitado. Se a chapa optou por esse rumo é que ou não estava confiante numa recuperação (e necessária porque o estilo da campanha mudou e com um tom de maior agressividade e com declarações de amor a Lula e Dilma) ou acreditava que era cedo para sabê-lo.
Regras não são nem uniformes, nem muito claras. Todavia o processo é assim mesmo: tivemos eleições de bico de pena, o voto secreto com os candidatos distribuindo cédulas, em seguida a cédula única e hoje até, no caso de Curitiba e outras cidades brasileiras, o voto biométrico. Estamos ainda nas dores do parto da democracia e o próximo lance, se a fauna o permitir, será o voto distrital.
Agito
Em Almirante Tamandaré ontem uma parte da população cercou a Câmara para protestar contra o reajuste de 100% para vereadores e 50% ao prefeito. É nessas cenas bizarras que assistimos a melhora da democracia.
Moleza
O Tribunal de Justiça cortou a moleza de deputados-secretários permanecerem com direito a gabinete na Assembleia. Grave distorção essa de não respeitar a independência dos poderes: estar com um pé no Executivo e outro no Legislativo é bem da nossa vocação pela promiscuidade em nome do compadrio.
Firmeza
Mais importante do que inaugurar novas unidades do Paraná Seguro, que mais parecem jogada eleitoral, é o governo firmar a máxima defesa dos policiais condenados no Rio Grande do Sul. Qualquer apatia no caso é fator gravíssimo de desagregação. O Paraná não fica mais seguro com qualquer forma de deserção.
Folclore
Foi sepultado ontem em Curitiba o repórter fotográfico Romário Amódio da turma pioneira de ''O Estado do Paraná''. Em função de uma sagacidade do poeta e repórter Fernando Pessoa Ferreira os dois fizeram uma reportagem ficcional sobre discos voadores no entorno do jornal na rua 24 de Maio: um aparato metálico simulando o objeto voador não identificado foi lançado ao espaço e Romário o fotografou. Uma brincadeira que acabou em primeiras páginas até de jornais internacionais. Se lessem a matéria perceberiam o sarro: ''Estávamos eu e o Romário caçando lagostas na 24 de Maio quando tivemos a atenção despertada para o disco que refletia a luz solar''. Lagostas em bueiros!





