Árvore e floresta

Antes de tudo os programas eleitorais são uma espécie de piada pronta e quanto maior o glamour a cafonice não oculta a anedota. É claro que na eleição proporcional a graça é mais natural com os candidatos incorporando o apelido ao nome e incluindo a profissão (fulano da enfermaria, ciclano do sorvete, beltrano do posto e da farmácia). Mas em todos se nota a velha arte de confundir árvore com a floresta quase sempre a cargo da área oficial que mostra numa novelinha melodramática em que a moradora de beira do rio acabou descobrindo, com apoio em assistentes sociais, a casa própria. Fôssemos uma sociedade participativa as centenas e milhares dos que se encontram em situação de risco se arregimentariam e iriam cobrar, aqui e agora, o direito aquele tipo de aventura. O que é chocante pelos milhares que aguardam a vez na interminável fila da Cohab, a ''Avenida Brasil'' das esperas.
É claro que a oposição tem o direito igualmente de ver numa árvore a floresta quando faz de um buraco no asfalto um precipício ou nas calçadas ruins (e que são muitas em qualquer lugar) a tragédia de todos os cadeirantes. O fato é que não se pode ver no horário gratuito uma forma de educar, mas de iludir e, é claro, seduzir. Engambelar o eleitor, com coisas falsas, é traição pura. E como tenta parecer fiel se torna altamente cafona.

Pesquisas

Institutos de pesquisa sempre mostraram habilidade no ritual das sondagens até chegar à boca de urna e ao resultado. O que não impediu que Rubens Bueno processasse o mais forte deles, o substantivado Ibope, por um erro crasso de avaliação. A descrença nos institutos é visível no número de impugnações. E como ''Vox Populi'', autor do derradeiro relativo a 25 e 27 de agosto, não tem o nível de credibilidade do Ibope e DataFolha, todos, ainda que desconfiados, aguardam as novas apurações. Mas as pesquisas acabam influindo.

Greves

No disparo greve dos bancários (nacional) no dia 18 e a dos profissionais dos salões de beleza em Curitiba dia 12. A dos bancários não deu acordo como também a dos transportadores em acerto nacional (embarcadores, empresários, autônomos e celetistas).

Mimetismo

Não são apenas os políticos dados à mímese, sua aparência multiplicada: em Curitiba agora há a ''balada de Cristo'' no Batel (encontro familiar e sem bebida) e o caso mais caricato é do pastor que cheira a Bíblia como se curtisse a coca no que ele chama de ''quarta louca por Jesus'' na Igreja Batista da Lagoinha, Belo Horizonte, MG.

Folclore

Coube a Joinville botar o primeiro beijo gay na TV brasileira e justamente no horário eleitoral entre masculinos. Deu rebu, lógico. Agora a Globo sai da retranca, pois o SBT mostrou um de mulheres.

Biciclétrica

Depois de São Paulo e Rio chega a Curitiba uma loja de bicicletas elétricas.

Subliminar

Urbs é acusada de pintar de azul e amarelo os terminais e com isso fazer uma propaganda subliminar do candidato oficial. Urbs se defende e diz que não é amarelo, mas mostarda. O quase amarelo é a camisa do Palmeiras e essas cores, cá entre nós, ficam ajustadas à semana da Pátria e isso não é delito. Ou é?

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