LUIZ GERALDO MAZZA
Hora do ''shazam''
Bastou a derradeira pesquisa DataFolha botar Gustavo Fruet em terceiro lugar e distanciado sete pontos de Ratinho Júnior e Luciano Ducci para que o alerta levasse o candidato ao ataque. Como estava acomodado e sem dar respostas às cobranças de coerência por causa de sua aproximação com o PT (que aliás não dá o ar de sua presença, talvez um tanto quanto acadelado pelas decisões do STF), percebeu que era preciso mudar e diagnosticou esquizofrenia no prefeito por tentar ser a um só tempo candidato do Beto Richa e da presidente Dilma. Essa doença, aliás, é cobrada de seus vínculos eleitorais também como se a marca da ambivalência não fosse essencial ao modo de fazer política no Brasil.
O programa eleitoral oficial é, como sempre, o melhor e o de Fruet é cinza, frouxo, em alguns aspectos pior do que o do Ratinho. Em política, pelo menos acredita-se, que existe o momento do grito de Shazam, o acróstico extraído dos nomes de deuses clássicos, que transformava o jornalista introvertido no superherói das histórias em quadrinhos.
Urge que a invocação não se transforme num grito primal: de reação necessária em agressividade descontrolada. Para quem está no tobogã a reação urge.
Ônus sem bônus
Até agora o candidato da aliança PDT-PT só teve o ônus do PT e nada do bônus, a não ser o apoio da ministra Gleisi Hoffmann, pois não se viu nenhum dos cardeais com expressão eleitoral a apoiá-lo. Seria aliás justiça poética, um caso de purgação de culpa relativamente ao mensalão já julgado parcialmente ante a postura de promotor de justiça de Fruet como deputado federal.
Foco londrinense
Pode ser que Londrina disperse o seu potencial cívico-político ao apoiar o populismo visceral de Antonio Belinati e Barbosa Neto, mas dá sentido maior à eleição com processos em andamento contra prefeito, vereadores, servidores.
Na Capital, dado o compadrio estabelecido, esse lado negro, o da corrupção, sutil ou ostensiva, não pinta no pedaço porque não é de sua natureza apurá-lo. Tanto que em pouco tempo se esquecerá de Derosso, que presidiu a Câmara 15 anos em estreita aliança com o time que detém o poder e por ele abandonado, e de todos os vereadores apanhados em práticas nada ortodoxas e que disputam reeleição com amplas chances de vitória sem terem sido molestados até agora.
Prioridades
Com o recebimento de um avião do CNJ, o TJ do Paraná pretende também locar um jatinho. Não se trata de desvendar mordomias (e como existem como por exemplo a frota de carros dos desembargadores isso sem falar nas vantagens auxílio-livro, auxílio fruta) mas de apurar critérios de prioridades. Maior carência do Judiciário é a deficiência da primeira instância, prédios ruins, falta de equipamentos. Mas não se pode dizer que não há contraditório quanto a isso, tanto que o Anexo do TJ deu margem a muita polêmica e investigações.
Folclore
E os mensaleiros, no regime semi-aberto, irão com ou sem tornozeleiras?





