Pesquisas e credibilidade
Quando a eleição, pelas sondagens, mostra na espontânea um número elevado de indecisos, principalmente nessa fase que precede a palanque eletrônico, as pesquisas se tornam imperativas para confirmar ou negar os números dos cartões da estimulada. Tivemos até agora de instituições bem acreditadas como Ibope e DataFolha apenas três levantamentos, todos embora procedidos entre março e agosto, acusando um empate técnico entre as três principais candidaturas.
De repente, não mais que de repente, aparecem registros de várias empresas no TRE e uma delas, impugnada pelo PSDB, acabou aprovada e atribuída ao instituto IRG. Mas além dela aparecem outras como a do DataCenso, interesse do Carlos Roberto Massa Júnior, que procede coletas de 17 ao dia 20 e ouve 1,1 mil pessoas a um custo declarado de R$ 12 mil; outra da Pró Mídia, que opera de 1º a 4 de setembro e que capta 728 depoimentos a um custo de R$ 28,8 mil e que abrange prefeito e vereadores da Capital.
Percebe-se na variedade das propostas que todas visam ampliar o número de pesquisados porque há, inegavelmente, uma crítica ao acanhamento do universo analisado e que se deve justamente a um alargamento do percentual relativo à margem de erro debitado ao custo geral.

Saturação e impugnações
Como houve a impugnação da pesquisa do IRG, com um campo de 1,2 mil eleitores, e o TRE não a acatou, percebe-se que a doutrina assentada não é a de limitar e sim a de ampliar o campo dessas sondagens. Mas como o público se habituou a ver com maior credibilidade as feitas por entidades há maior tempo no mercado como Ibope, DataFolha e Vox Populi, há um receio generalizado de que essa saturação e vulgarização de um procedimento caro acabe tirando a mística, se é que de fato existe, dessas pesquisas tão importantes para o eleitorado e candidatos.
Já tivemos incidentes sérios em torno de pesquisas e um dos mais impactantes foi o da falha do Ibope com relação à candidatura de Rubens Bueno, a qual foi atribuída menos de um dígito quando obteve, no pleito, nada menos de 20%. Bueno chegou a processar o Ibope e como parlamentar a suscitar o enquadramento das instituições quando cometem erros desproporcionais.
O TRE não pode levar em conta a tradição dos institutos porque isso feriria o princípio de isonomia, além de não lhe caber inquirições de natureza técnica ou metodológica, a não ser que assentada na praxe e na jurisprudência. O aumento do número de atores nessa condição pode operar como misturador de vozes e de estabelecer ruídos no processo. Institutos sempre se defendem que suas intervenções refletem o ''flash'' de um momento, aquele específico da coleta de dados e da sua interpretação.

Caso Proconsult
Um dos mais famosos casos de intervenção e até manipulação do processo é o da eleição de Brizola no Rio e a relação entre a Proconsult e a chapa adversária com a cobertura da Rede Globo. Na verdade o que se pretendia não era mexer nos números, mas evitar a desmobilização de fiscais. Isso também ocorreu no Paraná naquela eleição senatorial em que Richa venceu Túlio Vargas com os votos da sublegenda de Enéas Faria. O partido oficial conseguiu manter ligada a fiscalização e evitar perdas maiores nas eleições proporcionais. Rádios e tevês punham no ar os dados que interessavam, o que hoje seria impossível com a fiscalização partidária e a do TRE.

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