Tabus linguísticos

A insistência dos advogados dos mensaleiros na tese de que não é justo uma designação que por si condenaria os acusados restabelece uma questão séria da antropologia cultural em torno do tabu e das formas de contorná-lo como o faziam integrantes do clã totêmico da Polinésia. A conotação deliquencial do termo ao ver dos acusados exigeria algo como um eufemismo ou o número do processo na seriação burocrática do STF. Como se dá com expressões, por vezes sequer dicionarizadas, o mensalão foi criado pelo denunciante e denunciado Roberto Jefferson e assimilado por todos.
Diante de um tabu funcionava o conceito de ''nôa'' que substitui a magia da expressão impugnada. Da mesma forma que para evitar os malefícios decorrentes de fazer referências a Satanaz ou ao diabo se adotou, e isso na riqueza da sintaxe brasileira, o ''coisa ruim'', o cão, o diacho, o chifrudo, querem agora advogados que não se use a expressão ''mensalão'' mas a referência puramente numérica do processo.
O mestre Rosario Farani Mansur Guérios, em ''Tabus linguísticos'', viaja por várias civilizações identificando o uso sistêmico de ''nôa'' para minorar e até neutralizar os efeitos mágicos das expressões tal qual o fazemos quando para evitar referência a uma doença e temendo seu poder contagiante usamos expressões substitutivas como ''moléstia incurável'' ou ''pertinaz doença'' como nos referíamos no obituário dos jornais até os anos sessenta. Hoje aceitamos como normal a notícia do câncer na laringe do presidente Lula como já se deu com antecedência com o ministro da Fazenda de Sarney, do Plano Cruzado, Dilson Funaro, com a doença linfática.
É verdade que nem todo ímprobo, desviador de recursos públicos, é mensaleiro, já que deve existir um bom número de diaristas, aqueles que afanam todos os dias, quase como liturgia religiosa, como se essa fosse uma vocação.

Refundação

Agora querem a refundação da Polícia Militar. Nada como um agito verbal para dar a ideia de que se está governando. Isso me faz lembrar do novo homem do ''socialismo'' que de novo nada tinha. Na escravidão o novo é Spartaco.

Reeleição

Assembleia voltou ontem ao trabalho: a reeleição de Rossoni está sob risco. Rossoni é referência da Comissão Executiva na operação gafanhoto e não lhe assenta a condição de saneador. Uma ala quer o bate-chapa, este sim sinal de vitalidade.

Estatística

Nesse fim de semana tivemos 16 mortos pela violência, mas a polícia tem estatísticas suavizantes: se caiu em Curitiba subiu 75% em Paranaguá e 66% em Londrina. Elas não têm status para UPS.

Folclore

Prova de que a circulação é dramática na Capital está na frequência de acidentes com ônibus biarticulado na Travessa da Lapa que tem várias delegacias policiais mas nem por isso garantem segurança. Proximidade da polícia nem sempre é garantia, embora a doutrina oficial o afirme.

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