LUIZ GERALDO MAZZA
Anéis se foram
Os anéis se foram, salvemos os dedos. Os anéis das olimpíadas que indicavam um fator a mais para o triunfalismo pátrio esmaecem com decepções seguidas, incluindo a desclassificação do futebol feminino ante as japonesas, a medalha de bronze para Cielo nos 50 metros da natação.
A politização - e pior do que isso a ''ideologização'' - dos Jogos, hoje menos intensa desde a queda do Muro, ainda opera e o aparato que foi montado pelo Comitê Brasileiro, com a cobertura integral do governo, visava um desempenho bem melhor até para favorecer o clima e as expectativas de 2016 que teremos a obrigação de organizar. A presidente Dilma, ao assistir a abertura em Londres, achou que poderemos fazer melhor, embora o alto nível artístico num esforço documental para exaltar o desdobramento civilizatório da terra. Quem sabe a nossa presidente como boa parte dos brasileiros entenda que de fato superamos o império, ainda que, como reflete ela própria, nem sempre o PIB expresse a realidade.
A judoca de prata
Se é possível um país, desorganizado como o nosso, descobrir a judoca genial no Piauí, que nos deu a primeira medalha de ouro, percebe-se que carecemos de coordenação suficiente, em termos de federações e confederações, para termos uma força autêntica e renovada das várias modalidades. Na fase mais febril do oba oba de Lula na presidência, quando brigamos para sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas, a articulação entre a presidência e a cartolagem era a mais sólida possível, o que até facilitou o festival de prodigalidade dos Jogos Panamericanos orçados em pouco mais de R$ 700 milhões e que acabaram custando mais de R$ 4 bilhões sem que se cumprisse promessas vagas como a do saneamento da baia da Guanabara e não se evitasse a rápida deterioração da vila olímpica do que o estádio do Engenhão, ora substituindo o Maracanã, é também referência por suas deficiências estruturais.
Assim o exemplo do Pan é alertador não apenas quanto a dispersão de recursos como ainda com os riscos de falhas organizacionais e herança de elefantes brancos como se deu na Grécia com as instalações montadas para desportos não praticados no país.
A Copa, vexame?
Na Inglaterra o presidente da Fifa, Blater, em conversa com a presidente Dilma Rousseff, fez a observação de que o cronograma das obras nos estádios em boa parte se mostrava comprometido. E isso dá para perceber aqui em Curitiba com o andamento capenga da Arena da Baixada, isso sem falar das obras de mobilidade urbana a começar com o aeroporto de Afonso Pena com suas conhecidas deficiências operacionais e também a considerar o andamento da construção do metrô que imporá mais um fator de bloqueio no fluxo da circulação em cima do itinerário das canaletas excluivas do transporte coletivo.
Cada vez que se invoca a possibilidade de alguns estádios não estarem concluídos argumenta-se que um país, capaz de tirar do nada a sua maior festa, o carnaval, tem no improviso e na criatividade marcas do seu engenho. A festa referida ocupa comunidades inteiras em arranjos de antecedência e é tudo hoje muito bem planejado e assim mesmo sujeito a acidentes e até a incêndios com os carros alegóricos.
O tempo ruge e ao menos até agora não foram dadas respostas satisfatórias sobre dificuldades que teremos na Copa em 2014 e nos Jogos em 2016.





