LUIZ GERALDO MAZZA
Virtude como crime
Incrível a desfaçatez dos políticos: da mesma forma que a cúpula do país se irritou com as homenagens na Olimpíada a Marina Silva, como personagem mundial da ecologia amazônica, um setor da praça combate um candidato, no caso Gustavo Fruet, por um mérito - o de ter sido um fator-chave do mensalão. Não ousam defender o mensalão, mas tentam dar tintura criminosa ao fato de o candidato estar acoplado ao PT, o que é comuníssimo na vida brasileira. E os outros por acaso estão contra ou se arreglam ao lulismo na base aliada como se dá com o PSB do Luciano Ducci e o Ratinho Júnior do PSC e o PMDB de Greca?
O Paraná raramente se destaca em eventos nacionais e agora querem transformar o cumprimento de um dever num delito, esquecendo que poucos fizeram em tempos recentes o que os deputados federais Osmar Serraglio e Gustavo Fruet e o senador Alvaro Dias em intervenções no andamento da CPI do mensalão. Exemplo de mau caráter é o esforço da cúpula do PSDB local para isolar Alvaro Dias, como o fizeram com Fruet.
Vai ver
O governador promete solenemente examinar a intervenção do seu secretário de Indústria e Comércio, Ricardo Barros, investigada pelo MP estadual. O ritual está armado: o secretário se licencia para participar da campanha eleitoral (quem sabe um pronunciamento a favor de Luciano Ducci também) e deixa seu posto à disposição. Os antecedentes da ética do sistema indicam que a falta de Barros é bem menos grave do que a condenação de Taniguchi a um ano de galera e o vexame gigante do Ezequias que sugava grana da sogra fantasma. Dá até para imaginá-lo como um Hamlet declamando o ser ou não ser coerente.
Londrina, fase ruim
Não é só na política (agravada agora com a cassação do prefeito) que Londrina vai mal. No esporte igualmente, distanciada de Arapongas e Cianorte na série D, agora também não foi listada como centro de treinamentos para a Copa: levaram a melhor Cascavel, Maringá, Paraná Clube e CT do Atlético,
Suspense
Bancada de oposição na Câmara Municipal de Curitiba protocolou notícia-crime sobre a variação patrimonial de Luciano Ducci no MP federal. Segundo os denunciantes há fatores detalhados e superiores aos da versão da ''Veja''.
A petição tem doze páginas e há 112 documentos.
Folclore
Houve o caso do Ricardo Barros intervindo em licitação, a da coleta do lixo de Curitiba foi ontem suspensa. Cada vez se percebe mais o trocadilho: nem sempre uma licitação é uma ação lícita.
Debate
Hoje tem debate de prefeituráveis na Band: se botarem, como sempre, camisa de força nos participantes é melhor que não haja.
Suspeição
Ministro Marco Aurélio de Melo entende que o ministro Toffoli não poderia julgar o mensalão por ter sido advogado do PT, o mesmo se dando com sua esposa que atende acusados como o professor Luisinho. Argumenta que se a Procuradoria da República suscitar o problema será um constrangimento para todos.





