LUIZ GERALDO MAZZA
Como sempre
O Tribunal de Contas, como sempre (a exceção foi a desaprovação havida no balanço de Leon Perez), aprovou as contas de 2011 com as restrições técnicas e doutrinárias, algumas graves, outras nem tanto. Como dizia o coronel Paraguaçu restrições nos ''considerando'' e aprovação nos ''finalmente''.
Há muito a cota de investimento do Estado é mínima, não chegando a 10% de orçamentos robustos que por vezes não alcançam a previsão como o de 2011. O Estado é máquina autofágica, imensa e ineficiente; a Paranaprevidência está com esgotamento marcado para oito anos e nada se faz de concreto para evitar a quebra, apesar de todos os bilhões que Lerner conseguiu adiantar dos royalties de Itaipu. Sua pujança é meramente escritural. Governo permanece sem coragem de cobrar aposentados e de prover a sua parte no processo.
Excesso de secretarias que tentam decalcar o péssimo modelo nacional e que geram fenômenos de paralelismos e superposições no aparato burocrático. O que
teria o bom desempenho industrial e comercial a ver com o governo? Nada. No entanto, os governos, anteriores e atual, tentam ''faturá-lo''. Não há nesse deserto uma ideia-força (abertura a investimentos precariamente formulada) ou um sinal mínimo de projeto, de estratégia. A realidade está fora do relatório.
Resumo
O TC fez quatro ressalvas, 51 determinações e nove recomendações. Rombo da Paranaprevidência é de R$ 7,3 bi, governo não cumpriu os preceitos relativos
ao percentual aplicado em saúde (12%) que foi de apenas 8,3%. E depois disso, como se estivessem batendo sorvetes na testa, falam com pose em contrato de gestão para engrupir o respeitável público. Nas polícias civil e militar há 9.290 cargos vagos, ausência de efetivo. Dez a zero para o crime.
Folclore
Para resumir o aparato tecnoburocrático o ideal seria que as notas do TC para o governo fossem de zero a dez. O atual ficaria em várias dependências. E na pedagogia antiga poderia até ter de usar orelha de burro e ajoelhar em milho.
Marcelo
Marcelo Araújo não caiu da Setran pelo que fez e sim pela exploração que viria em torno da indústria das multas na campanha eleitoral. Sua falta perto do Ezequias e Taniguchi pecado venial.
Desmatamento
O Paraná saltou do oitavo lugar em desmatamento para o terceiro, isso em função do corte de 3 mil hectares de floresta na Usina de Mauá, cujos dirigentes prometem adquirir área de 4.168 hectares de florestas como compensação. Consórcio depositou R$ 59 milhões como caução para tal fim.
Enrolado
Muito enrolada a suposta negociação com os consórcios pedageiros. Governo se tornou leigo em técnica, que existia no DER, nessa área. E isso, além das amarras contratuais rígidas, facilita o poder de barganha das concessionárias que impõe verticalmente sua vontade. Requião ao menos bravateava e Beto deixa tudo correr como se lá na frente tudo se metabolizasse. O público pode ser um pouco mais duro no seu julgamento do que o Tribunal de Contas.





