Ciclo ou era
  Não foi apenas o poeta Virgílio que se ocupou de uma visão cíclica da história, desvendando-lhe as dimensões lírica e épica. Mesmo na história regional se adotou o arquétipo dos ciclos que o economista Francisco Borja Magalhães, que tentou uma interpretação econômica dos feitos paranaenses, corrigiu, dizendo que se tratava de miniciclos, referência ao extrativismo dos minérios, da madeira e do mate.
  Como costumamos ligar também, quase numa visão carlyteana, aos ciclos a figura dos líderes podemos considerar que andamos num período de estagnação, em que pese a referência positiva dos números da indústria e do comércio. Há muito tempo - e isso vem desde o segundo período de Jaime Lerner que ao menos no primeiro trouxe as montadoras - andamos em areia movediça, não saímos do lugar, o que corresponde também a um período de pobreza política. Não temos uma liderança como a de Munhoz da Rocha e de Ney Braga, o primeiro pelos fundamentos de uma doutrina e o segundo pela decolagem concreta de um esforço de integração física de uma unidade federativa com áreas estanques marcada pelas tensões como as que propunham o Estado do Paranapanema e do Iguaçu. De Ney tivemos, na sequência, um ciclo de bons governos inclusive da chamada fase do regime militar quando mantínhamos inalterado o prestígio nacional. Embora hoje com três ministros essa presença não é traduzida, convenhamos, em ganhos regionais. Se a ministra Gleisi mantivesse a proposta inicial de sair candidata ao governo ao menos no fermento político local haveria novidade.
Apatia indisfarçável
  Abstraído o momento da chegada das montadoras, olhado como uma ruptura, parcial é claro, da nossa condição de economia de complementaridade à de São Paulo, não tivemos nada de significativo, afora o nosso desempenho na produção de grãos e o maior dos estrangulamentos de infraestrutura permanece ainda nos terminais portuários, posto que a malha rodoviária e ferroviária registrem conhecidas e incontornáveis deficiências.
  O governo Beto Richa não tem uma ideia-força, não conta com um programa articulado ou com uma estratégia. E é muito ruim de marketing, porque a despeito da votação empolgante do governador se mostrou incapaz de mexer com a sociedade para motivá-la a um esforço de autossuperação, o que Ney Braga, Paulo Pimentel e Jaime Canet, por exemplo, foram capazes de fazê-lo com eficiência.
  É claro que tem uma herança pesada da inação do seu antecessor, perdido em bravatas e em fanatismos primários como o da resistência aos transgênicos, batalha em que foi tão esmagado quanto a sua suposta disposição de fazer baixar ou acabar com o pedágio. Por sinal que a novela volta ao cenário com a denúncia generalizada de que deputados estaduais evitam a CPI do pedágio porque estariam vendidos às concessionárias, como alega o deputado Cleito Kielse, mais uma definição da nossa mediocridade porque se sabe de antemão que isso dá em nada.
  A súbita colocação como prioridade na área de segurança é indicativo de algo que nasce frustrado, revelado ainda anteontem no crescimento de ataques a bancos que só no primeiro semestre cresceram 112,5% em relação a 2011.

mockup