LUIZ GERALDO MAZZA
A CUT na rua
De um lado a CUT, como central dominante dos servidores públicos, promete ir à rua agora para pressionar em favor de todas as categorias que se encontram em movimentos reivindicatórios e contra a resistência da presidente Dilma Rousseff ao aumento nos dispêndios públicos que agravaria estruturalmente a condição já precária no erário sob ameaça forte de inflação. Mas deixa claro que irá depois às ruas para defender um julgamento técnico e não político dos enquadrados no mensalão. Ambivalência? Certamente não porque a contradição tem sido sempre do governo. Aliás quem pediu a mobilização obreira foi Lula e há bastante tempo. Num tempo sem utopias voltamos a cultuar a das barricadas.
Com os aliados que o governo tem, seja no front sindical, seja no das ações do mensalão, ele dispensa adversários. Só que isso tem tudo daquilo que se temia em 1964 e derrubou João Goulart: a probabilidade de uma república obreira, o que hoje existe nas formas de ocupação do aparelho de Estado. Conforme a intensidade da manifestação de rua teremos ação claramente política quando se alega o desejo do julgamento técnico. Já na questão dos salários há o desprezo da apreciação técnica em favor de um agito falsamente doutrinal e de cunho ideológico. Caminhamos para trás como se estivéssemos na Argentina sob o rufar dos tambores peronistas.
Rir do remendado
O governador Beto Richa fez sutil crítica ao prefeito Barbosa Neto dizendo que é preciso tirar Londrina das páginas policiais (referência às várias prisões de seus auxiliares), esquecendo que a única igualdade, quase socializada, do Paraná é a falta absoluta de segurança que atinge o seu povo. Não deixa de ser uma forma de igualdade na carência. Todos no Paraná são excluídos nesse item sujeitos a roubo, a sequestro e a assassinato.
Resistência
Uma caricatura de ''resistência civil'' é a nova ideação do manjado movimento do passe livre que nasce sob suspeita de querer influir no processo eleitoral, pois afinal o transporte coletivo é sempre demonizado nesses dias. Se o movimento fosse pacífico tudo bem, mas aconselha a pular catraca e valendo-se da intimidação eleitoral para evitar que guardas municipais cortem o barato da rapaziada e apareçam como brutamentos em imagens televisivas.
Acidente
Biarticulado matou uma menina na frente do Passeio Público. Menos campanha eleitoral e mais educativa, por favor.
Folclore
Gincana não é guerrilha: pular catraca tem jeito de subvenção e muito pouco de subversão.
Isolamento
Professores e servidores universitários estão isolados. A solidariedade externa, que seria estimulante, inexiste.
Decisão
Boa a estratégia da PM para garantir ordem na final da Copa Brasil: 1.500 militares estarão lá. Ontem, início da tarde, só havia 1.200 ingressos. É indicação de que teremos problemas, além da ansiedade do coxa.





