LUIZ GERALDO MAZZA
Tudo agora é eleitoral
Um curto circuito nas relações entre a Copel e a Sercomtel, motivado por fatores políticos, curiosamente se dá às vésperas de uma eleição, como ocorreu na associação entre as duas num pacote de gentilezas daquele segundo turno dramático que Curitiba, comandada por Jaime Lerner, invadiu Londrina com uma força-tarefa decisiva para o pleito. Incrível que a força tenha sido tanta e de tal ordem que sufocou os sentimentos autonomistas do segundo maior polo urbano do Paraná, normalmente sensível a esses tipos de demonstração.
Não se pode dizer que as relações entre Copel-Sercomtel estejam esgarçadas por causa da resistência em aceitar a designação de diretor indicado pelo governo estadual. Se a Copel é a joia da coroa do governo estadual, a Sercomtel o é também no caso do município. Ambas estiveram muito próximas de serem privatizadas e nos dois casos houve uma espécie de resistência ideológica ao leilão ou a qualquer forma de absorção com a recuperação de valores estatistas e também de traço nacionalista que ainda encontram fôlego por aqui.
Muitas das acusações contra Belinati também derivam do encaminhamento desses recursos obtidos com a venda de 45% das ações à Copel e nesta não é pequeno o setor contrário à consumação do negócio.
Como se atribui sentido eleitoral à operação que transformou a Copel em sócia da Sercomtel, percebe-se na atuação do prefeito londrinense um esforço para fazer da sua resistência um capital político e que mexa com os tais valores da autonomia da cidade, ainda mais em função do assédio que sofre em função das investigações do Gaeco e da arregimentação de adversários no Legislativo e que a cada dia se tornam mais acaloradas. Londrina tem uma tradição forte de participação cívica e na medida em que cresce a onda contra Barbosa Neto, este procura também fazer de sua resistência, por mais minada que esteja, um fator de afirmação, capaz de produzir dividendos eleitorais, se é que emplacará a sua candidatura à reeleição, sob risco de questionamento judicial.
Beto Richa, londrinense, não cultua antagonismos e procura manter a imagem de cooperativo e cordato. Sua participação no processo eleitoral será de traço conveniente e conivente por seu crônico aspirante, Luiz Carlos Hauly, cansado de perder, não mostrar a mínima intenção de renovar a disputa. Como concentra em Curitiba, onde foi prefeito e estabeleceu a aliança com Luciano Ducci, seu regra três, todas as energias, abandonando cidades de médio e grande porte, embora suas responsabilidades de maior liderança do PSDB, aqui é o seu campo-chave para garantir os fundamentos da sua desejada reeleição.
As perspectivas do seu candidato, Luciano Ducci, não são boas e um esforço ingente é feito para fazer do vice um fermento para reduzir os riscos bastante visíveis de ficar atrás de Ratinho Júnior e de Gustavo Fruet. Atritos ele os reserva para Requião e assim mesmo com o cuidado de não afastá-lo de eventual apoio em segundo turno. Pisar em ovos é preciso.





