Ser e parecer
Essa denúncia do patrimônio do prefeito Luciano Ducci, de Curitiba, que tem muito de cavilosa, mexe com uma das fragilidades do eleitor, alimentada como uma das bases do populismo, a de o político fingir o que não é, passando por pobre ou fingindo que não é rico. Dá para lembrar Jânio Quadros, com roupa de servidor da CMTC, empresa dos transportes coletivos de São Paulo, comendo um sanduba em meio-fio de calçada.
Ser o que é de fato sempre foi um risco na política: jamais Antonio Carlos Magalhães mostrou a abrangência do seu poder, Sarney e Renan Calheiros passaram até por esquerdistas para disfarçar a prática aberta do feudalismo. O exemplo recente do moralista Demóstenes Torres está aí pedagogicamente instalado como também o mais antigo de Leon Perez no Paraná.
Da mesma forma que Ducci não tinha nada que falar dos seus bens, além daquela declaração obrigatória da Justiça Eleitoral, deveria obviamente estar antenado para a hipótese da provocação em cima do tema. Homem público de um modo geral não tem privacidade: ele a renúncia ao dedicar-se à tarefa. Já a insinuação de que teria enriquecido no poder deve ser vigorosamente contestada com o processo em cima da publicação e do seu autor. Sua ida ao Ministério Público estadual serviu para desmentir o informe de que a instituição já estaria iniciando um processo a respeito.
Clareza meridiana
Já outro candidato, Gustavo Fruet, fez questão de cortar as provocações que lhe eram dirigidas por sua atuação no ''mensalão''. Em entrevista à ''Veja'' contestou a versão de petistas de que o processo era uma farsa e reafirmou a sua convição demonstrada como sub-relator da CPI. Sua ambivalência, na versão dos adversários, era imaginária em função da visita a Lula.
Agora em função das duas matérias - o patrimônio de Ducci e a saída de Fruet - insinuar-se-á uma preferência da publicação pelo candidato do PDT-PT. O que é consequência do background eleitoral.
Vice contestatória
A vice da chapa de Fruet, derrota do casal ministerial Gleisi-Paulo Bernardo, ajusta sua representatividade ao dinamismo interno do PT, já que a advogada Mirian Gonçalves havia colocado restrições ao resultado da convenção. Sua inserção agrega forças que tinham dúvidas sobre a participação eleitoral.
Folclore
Quem dá o plá na ação política de Luciano Ducci é Beto Richa e na parte patrimonial quem dá o plá é Dal Prá, família da primeira dama.
Ranking
Não há ranking de corrupção no Brasil em que não apareça o Paraná. Domingo no ''Fantástico'' vieram denúncias de concursos fajutos em que apareciam a RTV de Curitiba, Cescar de Maringá e DP de Francisco Beltrão.
Igrejas
Mais de 70% das paróquias do Paraná se viram obrigadas a contratar sistemas de segurança, tal a frequência de assaltos e a impotência governamental.

mockup