LUIZ GERALDO MAZZA
Status metropolitano
Uma das ocupações recentes de parlamentares é a de incluir municípios nas Regiões Metropolitanas sem levar em conta qualquer fundamento técnico. Uma dessas surpreendentes foi a do deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior incluir Rio Negro, na divisa com Santa Catarina, na de Curitiba e as de Sabaudia, Jaguapitã e Pitangueiras na de Londrina, estas já consumadas e mais recentemente há emendas que incluem Florestópolis e Porecatu.
Como desapareceu no governo - e isso não é de agora e muito menos de gestões como as de Lerner e Requião - o referencial técnico para embasar questões como essas ligadas à geografia e às vocações regionais tudo isso se dá sem qualquer mediação do núcleo estratégico, se é que existe. Essa carência mostra porque não temos projetos, logo nós que até o governo José Richa, ao menos no início, tínhamos aqui uma usina de propostas e não apenas na área de planejamento mas em outras como a de desenvolvimento municipal.
Da mesma forma que cientificamente a função faz o órgão estamos hoje próximos de um desmantelamento em função dessa perda de organicidade. Campo adequado para a má política, já que essa sem o mínimo de respaldo técnico vira lixo à ausência de racionalidade.
PMDB, o autor
A devastação de todo o arcabouço político-administrativo se dá a partir da chegada do PMDB ao governo. José Richa, até um certo ponto, buscou equilibrar o planejamento com a participação popular, a consulta às comunidades até em programas da Arena como o Pram que atuava nos municípios. Com o passar do tempo tivemos um absurdo: o Estado se tornou leigo em planejamento, a área foi inteiramente abandonada. A Prefeitura da Capital detém níveis de racionalidade bastante superiores aos do Estado, bastando verificá-lo no orçamento que impede que o custeio (dispêndios com pessoal especialmente) dificulte um maior raio de investimentos. No que concerne ao planejamento, porém, o IPPUC perdeu sua razão de ser: deixou de ser operativo e capaz de propor o aceitável tanto que a cidade perdeu referenciais e o canibalismo imobiliário ameaça aprofundar o caos vivido atualmente. Mesmo Lerner, que se projetou como organizador urbano, não colocou esse estilo a serviço do governo estadual.
Distância cultural
Que vantagens leva Doutor Ulysses, bolsão de miséria, em estar na Região Metropolitana de Curitiba? Além das decorrentes de programas de segurança e habitacionais da União pouco muda na vida dessas comunidades. Como o ente municipal é o mais periférico na discriminação de rendas há a justificativa dos políticos para que os nutrientes metropolitanos, ainda que de baixa expressão, sirvam essas áreas. A distância cultural entre um município incluído na metropolitana e a física é enorme, daí termos o desequilíbrio flagrante entre centro e periferia do desenvolvimento, tal qual se dá entre núcleos polarizantes. No Sudoeste temos um exemplo na emulação entre Pato Branco e Francisco Beltrão que o governo trata com acomodação e tenta distribuir serviços. Se a precariedade conceitual persistir e uma delas virar Região Metropolitana teremos guerra. Há o caso de Castro impedindo a RM de Ponta Grossa como exemplo quando não tem sentido avaliá-lo na perspectiva do desenvolvimento econômico.





