Usina de projetos
Antes, lá pelo fim dos anos 50 do século passado, e durante o regime militar, o Paraná se destacava, tanto no governo estadual como na prefeitura da capital e algumas do interior como Londrina, como usina de projetos. Isso encontraria a sua consolidação no governo Ney Braga, do qual o Plano Trienal em meados de 1963, articulado com a Sagmacs, Sociedade de Análises Gráficas e Mecanográficas, era referência de solidez técnica e de visão prospectiva.
Toda a estrutura montada daria seus últimos suspiros no início do governo José Richa e de lá para cá, removida pela despreocupação com planejamento, se faria aparato inútil. Talvez isso explique a nossa baixa participação não apenas nas emendas orçamentárias, mas no ''racha'' do bolo como indicou esta FOLHA ao demonstrar que dos R$ 1,4 trilhão destinados a 12.265 obras no país apenas R$ 25,2 bilhões caberiam ao Paraná. Isso significa 1,7% do total de investimentos.
Durante o regime militar e antes dele criamos instituições como a Companhia de Desenvolvimento Econômico do Paraná, Codepar, que antecederia o Badep, que gerou os quadros que permitiram o salto na infraestrutura econômica (estradas, energia elétrica, telecomunicações) e no financiamento da atividade privada.
Seria impensável hoje o Paraná brigar pelo terceiro polo petroquímico tal se deu na emulação derrotada diante dos gaúchos, mas com proposta distanciadamente melhor. A atrofia de quadros, a ausência de renovação, tornam hoje a tarefa de Cassio Taniguchi quase impossível.
De novo
Se a Justiça Eleitoral tivesse agido com maior rigor no telemarketing do prefeito Luciano Ducci e feito algo mais do que a advertência certamente o governo estadual não estaria agora fazendo o mesmo ao sugerir uma suposta, que sabidamente não existe, ''revolução'' no setor de Segurança Pública. É visível que os sensores palacianos perceberam que a segurança ainda é um problema chave do Paraná e que as unidades copiadas da experiência carioca não passam de simulacros como os tivemos anteriormente com os módulos, o totem e a piada da ação móvel chamada, demagogicamente, de Povo, policiamento volante.
O governador concentrou suas preocupações eleitorais em Curitiba. De Londrina ou de qualquer centro de médio a grande porte deixa que os fatos fluam sem sua intervenção. Acha que Curitiba é o bastião que garante o sucesso da reeleição em 2014, daí tentar dourar a pílula do setor público que menos funciona e que responde pelas maiores angústias da população. Já somos o sexto em violência do país e caminhamos para melhores posicionamentos no ''ranking'' negativo.
Não se enfrenta problema concreto com ufanismo publicitário.
Folclore
É visível que o curso atual da economia já não justifica a euforia da quadra que tanto beneficiou Lula e que agora não favorece Dilma Rousseff. Mas se aquelas circunstâncias se repetissem seria o caso de reproduzir com a voz operística de Vicente Celestino a letra inicial de ''Terra Virgem'' que era assim: ''O meu Brasil para aumentar a sua glória// dia virá em seu futuro ascensional// em que o mundo invejará a sua história// porque serás um paraíso universal!''.

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