LUIZ GERALDO MAZZA
Tortura nunca mais?
Investigação recente da USP, relativa a 2010, em 11 capitais brasileiras, mostra que o povo tende, cada vez mais, a defender a tortura como recurso válido para combater a criminalidade. Não chega a ser a maioria, mas o fato de chegar a 47,5% surpreende, principalmente depois de tanta luta contra essa forma de obter confissões. Na realidade apenas 52,2% persistem em posição contrária a qualquer forma de violência no aparato policial.
O surpreendente é que uma sondagem igual a essa, feita em 1999 pelo Núcleo de Estudo da Violência da USP, mostrava que 71,2% eram absolutamente contrários ao emprego da tortura e apenas 28,8% a defendiam como necessária. Degradou tanto o aparato policial enquanto a violência crescia quase no mesmo ritmo da corrupção que o fenômeno é revelador, sobretudo, do medo e da ansiedade das pessoas nos grandes aglomerados urbanos.
Silogisticamente dá para concluir que uma enquete sobre a pena de morte hoje seria por sua aceitação. Afinal, se a tortura pode melhorar os inquéritos, como essas pessoas imaginam, certamente a mesma escala de valores as levariam a aceitar justiçamentos como forma alternativa e a pena capital como inserção indispensável na legislação brasileira.
A impotência do Estado, como se vê, nos embrutece.
Silêncio legal
Se a pesquisa da USP se desse agora depois do silêncio do Cachoeira e seus asseclas na CPMI possivelmente teríamos mais da metade defendendo a tortura. O que não seria um índice de civilização, mas de obscurantismo.
Prioridade
No retorno do governador Beto Richa a melhora no aparato policial (e é claro a sua moralização e aperfeiçoamento) foi colocada em evidência, mas é preciso ir mais longe em outros setores, sair dessa sensação de estagnação, mostrar vida, sensibilidade, no problema nevrálgico da infraestrutura, fazer decolar a economia, mostrar capacidade de rápida resposta aos acidentes naturais (as vítimas dos vendavais e das enchentes para que não se repita o ocorrido no litoral com os deslizamentos), tirar a educação das amarras visíveis no ciclo reivindicatório do professorado e agora das universidades. O que não pode é ter agilidade em questões de menor relevância como sacar dinheiro da Carteira de Fomento para obras da Arena da Baixada, levando pito do Tribunal de Contas.
Folclore
O Coritiba, ainda ontem, no último lugar do Brasileirão, era comparado por atleticanos ao Lanterna Verde, herói gay das histórias em quadrinhos.
Tartaruga
''Juntos num só ritmo'', slogan da Copa de 2014, não se sabe se visa pedir rapidez no que está parado ou manter tudo conforme a tradição ou ainda obter a flexibilização das licitações do PAC.
Atraso
Até no vestiba da Federal se percebe o retrocesso: em literatura em lugar de ''Memórias Póstumas de Braz Cubas'' do maior romancista brasileiro Machado de Assis entra ''O bom crioulo'' de Adolfo Caminha. O ''politicamente correto'' é capaz de audácias como essa.





