A ‘‘marolinha’’ de novo?
  Quando da crise americana de bancos e seguradoras, que parecia reprisar com maior ênfase o ‘‘cracking’’ de 1929-30, o então presidente Lula, que surfava num ciclo virtuoso da economia, contrariando a sinistrose imaginada até por especialistas, denominou-a de ‘‘marolinha’’. E como em tudo acabou levando sorte, especialmente pela ação do Banco Central, com independência até então não exercida, e de fato a blindagem interna funcionou.
  Atualmente a crise na Europa vem acoplada a um menor desempenho da China, que dificilmente reproduzirá os PIBs de anos anteriores. O Brasil por certo já é afetado por esse conjunto de circunstâncias e que também dá indicações fortes de que ficaremos em matéria de PIB perto dos 2,7% do ano passado (o do Paraná foi de 4%) e crescendo quase nada para 2,99% conforme previsão Focus. Acabou o cenário da euforia, que tanto favoreceu a gestão Lula e o consagrou como se ‘‘estadista’’ fosse em escala mundial, tal a admiração diante do desempenho da economia nacional num momento de crise mundial.

Tsunami imoral
  Enquanto estamos à espera de melhoras na economia, que certamente não virão de medidas pontuais na esfera fiscal, o País é arrasado por um tsunami de imoralidades que no campo da política extrapolam até a cota astronômica de corrupção que nos coloca no ranking do quesito mundial. Como tenho dito o encontro de Lula e do ministro Gilmar Mendes no escritório do ex-ministro Nelson Jobim é o que há de mais inconcebível, pouco importando saber quem tem razão nas versões divulgadas. Se um evento dessa ordem se desse num país de melhor condição civilizatória levaria a opinião pública à perplexidade.
  Temos visto por aqui, e com alguma frequência, magistrados do primeiro grau e também da instância superior, opinando abertamente sobre matéria que vai julgar, o que além do exibicionismo revela perda dos freios da discrição. O pior é que quando isso ocorre não se levanta a suspeição da imprudência.
  O encontro do ex-presidente da República com ex-presidentes do STF é algo que não deveria ter existido. Aliás surpreende o fato de o ministro Gilmar Mendes se referir ao episódio apenas um mês depois da ocorrência, como se até num caso de indiscrição o ritual ser tão prolongado como tudo em matéria judicial.

Militância convocada
  Dirigentes das alas mais radicais do PT (elas ainda existiriam ou o desfrute do poder as teria inibido de vez?) pediram à militância (hoje sazonal e apenas existente em período eleitoral) que fizesse de tudo, especialmente nas redes sociais (que substituem com vantagem e higiene o emporcalhamento dos muros) para preservar a figura maior, emblemática, do ex-presidente Lula. É claro que hoje a militância não joga pedras e não cerca palácios como fez com Montoro e Mário Covas. A maior parte ocupou o aparelho de Estado e órgãos dele derivados e não fica bem a quem já fez a sua revolução sair por aí em ações predatórias.
  O que inexiste mais é o voluntário, aquele que atuava pela causa sem ser remunerado em tempo de eleição ou fora dele. Especialmente em tempos de discurso ético, bandeira há muito tempo abandonada, antes até da conquista do poder maior e da morte estranha de prefeitos.

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