LUIZ GERALDO MAZZA
Como fruto não sazonado
Está aí, como fruto não sazonado, em pleno desenvolvimento, a campanha eleitoral. Ensinavam os mais velhos que nem todas as frutas poderiam ser consumidas verdes, especialmente o caqui sangue de boi, a pera dágua e a ameixa amarela, a nesper; muito menos manga e abacate .
Em época pré-eleitoral os agentes políticos agem como os meninos abusivos que atacam pomares de frutas verdes pelo prazer do roubo, da ocupação do terreno proibido, não temendo o tifo e muito menos a cãimbra de sangue. E foi o que assistimos nos últimos dias em Londrina e Curitiba.
Em Londrina o comício do PDT nacional em favor do prefeito Barbosa Neto foi olhado pelo Ministério Público Eleitoral como propaganda antecipada já que o burgomestre, ora assediado por tantos processos, é, apesar de tudo, um guerreiro obstinado com a reeleição. O Luppi, defenestrado do ministério de Dilma no andamento da faxina, comandou o espetáculo e anunciou até um pedido de cassação do Gaeco, braço-chave do MP.
Já na Capital outro pedetista, Gustavo Fruet, foi alvo de uma barragem de fogo por seus opositores e que retiraram do baú material que certamente será usado na hora mais febril da campanha como gravações dos seus discursos e entrevistas como um fragmento de fala num programa do Jô Soares com firmes críticas à leniência de Lula na corrupção em seu governo, o que aliás deu origem à CPI do mensalão, da qual foi um dos elementos-chave.,
Curitiba, Londrina, mensalão
Gustavo Fruet afirmou recentemente que o caso da Câmara de Curitiba com os desvios capitaneados pelo ex-presidente João Claudio Derosso era, em certa medida, pior que o mensalão. Isso foi interpretado erroneamente com uma tentativa de subestimar o processo dos mensaleiros, o que é de uma safadeza exemplar. E ele tem razão por mostrar que resistências municipais à apuração das coisas são extremamente mais agudas, especialmente em Curitiba, área do acerto, do contubérnio público-privado, da impotência do Legislativo com uma oposição brancaleone e também comprometida, do apaziguamento intrapoderes como se verá nos chunchos, a roubalheira gigantesca da Assembleia.
Ora se você consegue o feito de uma CPI no parlamento enquadrar a ladroeira do mensalão e contar com a intervenção do Ministério Público Federal por que isso aqui, no plano local, não acontece, tanto que a queima de arquivo, sem sangue, com o afastamento do Derosso tenta brecar a investigação e parar tudo por aí?
Esse tema, de que trato seguidamente, quase como obsessão, da analogia entre Curitiba e Londrina tem toda pertinência. Londrina cassou prefeitos, afastou vereadores, com ajuda da sociedade organizada e continua com essa missão ao passo que a Capital, obstruída por uma ação intrapoderes da sociedade cartorial, avança muito pouco. Aqui a maioria está mais para o aplauso do que para a condenação e muito mais pela omissão do que para a participação. Pena que em Londrina todo esse esforço, à maneira argentina, beneficie apenas os políticos com viés fortemente populista em assimetria com a cidade. Sérios como Milton Menezes, Wilson Moreira e Hosken de Novais hoje seriam derrotados.





