LUIZ GERALDO MAZZA
Eleição se decide aqui
Da mesma forma que o pleito municipal de São Paulo tem dimensões que fogem ao específico da cidade, não havendo qualquer sentido condicionar a candidatura de José Serra à obrigatoriedade de cumprir integralmente o mandato e abandonar a corrida presidencial, o de Curitiba está voltado essencialmente para o pleito sucessório de Beto Richa. Só que agora o quadro já não é tão voltado ao benefício de Gleisi Hoffmann porque ela estaria se convencendo, no papel que exerce no governo federal, de que a persistência no ministério seria opção que o momento coloca.
O PT tem quadros no Paraná para a majoritária, além dela? Parece que não. É evidente que Paulo Bernardo, um dos mais consistentes militantes e sempre no papel de estrategista, é bom devoto, mas não tão bom de voto. E a armação, feita para atrair Gustavo Fruet, embora não perca o sentido com a possível desistência de Gleisi, ainda se sustenta, mas não haveria um nome forte para substituí-la. De qualquer forma o PT joga em condições até vantajosas com a candidatura do neo-pedetista, talvez em condições até de restabelecer aquele clima de euforia do melhor momento de Ângelo Vanhoni, hoje chamuscado com algumas investigações de Ongs do primeiro emprego, um dos motivos pelos quais já não garante votos como vice.
Beto, ainda forte
Maior eleitor do Paraná e um dos mais relevantes personagens do tucanato em nível nacional, Beto Richa joga pesado em favor de Luciano Ducci quando tinha tudo para ganhar com Fruet que desqualificou, o que ficou demonstrado no pleito senatorial. A Luciano faltam requisitos de catimba, de liderança, até mesmo aquele perfil técnico que favorecia o político medíocre em Taniguchi. E o seu setor, como o da segurança em plano estadual, o da saúde, é um dos mais críticos da municipalidade, um horror.
Ao contrário de Ney Braga e do próprio Requião, que procurava estar presente em todos os municípios, envolvendo-se em todos os pleitos, Beto aposta todas as fichas em Curitiba como seu futuro. Mesmo na sua cidade, Londrina, com os temores de Luiz Carlos Hauly, deve buscar opções em outros partidos. Hoje se fizéssemos uma pesquisa prospectiva o governador sairia à frente, e de forma disparada, por hesitações na oposição. Se perder na Capital, e corre tal risco em função das contingências, essa hegemonia é minada e para recuperar posição não será nada fácil.
Uma alavanca
Se Gustavo Fruet ganhar o pleito ao lutar contra forças imbatíveis, já que se trata do mesmo grupo hegemônico que se apossou da cidade, e no curso da batalha ganhar a simpatia do PT pode, lá na frente, ser a melhor das opções para o enfrentamento direto com Beto Richa, a persistir a intenção de Gleisi de manter-se como figura forte no quadro ministerial. Eleições de capitais têm esse condão - o de habilitar pessoas até para a presidência no caso de São Paulo ao lado da manutenção do governo estadual, cidade e estado, olho do furacão do país e em nível local de repetir o que houve com Ney Braga, Lerner, Requião e o próprio Beto Richa. A Beto só faltou como o pai a eleição na cidade de origem, no resto cumpriu o fadário.





