O peso das genealogias
  Uma sociedade massificada como a atual não tem antígenos suficientemente fortes para remover as resistências parenterais e da chamada sociedade cartorial. Temos ilhas e até arquipélagos no Brasil de oligarquias que lembram feudos, como os casos de Sarney, Collor, Calheiros, os Gomes. A supervivência desse poder clânico dentro de um sistema democrático (é claro que as eleições são condicionadas, como se vê no absurdo dos agentes que beneficiaram Nelson Justus e Alexandre Curi, espalhados pelo território; o que não é pior, já que há formas mais violentas ainda de constranger eleitores) é um dos maiores paradoxos e ponto de estrangulamento mesmo do regime.

Analogia repetida
  A analogia que faço sistematicamente entre Londrina e Curitiba para testar-lhes o vigor cívico e destacar o segundo polo urbano como expressão clara do avanço evidencia que o peso da ancestralidade, das genealogias, não pode nem deve ser subestimado. Em Curitiba a mídia deixou de ser passiva e protetora desses interesses recentemente, e isso bastou para gerar um quadro que não deve ter retorno, tende a impor-se como norma comportamental, mas tudo dependendo menos dos veículos e mais dos leitores, telespectadores e ouvintes assumirem a nova contingência na relação e intercâmbio com esses meios.
  Posso testemunhar pelos muitos anos que estou na FOLHA que essa tem sido uma tradição independente de circunstâncias políticas, razão pela qual me sinto como um combatente da boa causa mais bem ajustado aqui do que em qualquer dos meios, impressos e eletrônicos, em que atuei na Capital, à exceção da rádio CBN, que me deu até aqui ampla liberdade.

Mediações saturantes
  Por que o Ministério Público estadual não age aqui como o federal? Por que o nosso Tribunal de Contas está longe de lembrar o da União nas suas sanções e no desempenho enfim até preventivo na questão da Contabilidade Pública? São áreas de mediação prontas a agir a qualquer momento para reclamar sempre moderação, cautela e não o estímulo à investigação. Basta lembrar que a denúncia do MP sobre a Urbs ficou 15 anos nas gavetas do Tribunal de Justiça e isso é suficiente para imaginar as romarias dos afetados por qualquer decisão para que ela não viesse.
  Reconheça-se que enquanto o legislativo naufraga na lama (e não cultivamos nem uma certeza de que as devassas chegarão à punição dos culpados e no ímpeto moralizante atual de sua direção há encenação demais), o Ministério Público é quem se sai melhor retomando as prerrogativas que ganhou na Constituição de 88 e que até demorou a assumi-las, como se a subordinação histórica ao Executivo minasse a sua disposição. É o fato marcante do momento atual, o mais relevante, o que nos coloca a um passo da modernidade e a superação de tudo que rescende a naftalina e sarcófago.

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