O mensalão e o mensalinho
Estão criticando duramente o ex-deputado federal Gustavo Fruet por ter feito uma analogia entre o mensalão e o mensalinho, esse de câmaras municipais como as de Londrina e Curitiba. O mensalinho da Capital contou com reação articulada da corporação, tanto que na Comissão de Investigação como na de Ética não avançou, uma feroz resistência institucional, orgânica, ali se estabeleceu. Ademais diz-se que as câmaras municipais por serem a visão do poder mais próxima do povo estariam, por isso mesmo, sujeitas à fiscalização imediata do eleitor.
No parlamento as reações estabelecidas da confraria foram insuficientes para impedir o fluxo institucional da denúncia da Procuradoria Geral da República e de sua aceitação, inquestionável, pelo Supremo Tribunal Federal. Há muito temos no Brasil esse tipo de intervenção no condicionamento de setores da sociedade como dá para lembrar as ocorrências que levaram o presidente Collor ao impedimento.
Pois é mais fácil a ação no plano federal do que no municipal. Ademais, em termos proporcionais, os R$ 35 milhões de desvios com propaganda são mais fortes do que os mais de R$ 50 milhões do mensalão. Na verdade não estamos capacitados para a prática da democracia, justamente onde é mais próxima, no plano local.
As cenas dos vereadores, como Algaci Túlio, descobrindo o absurdo (ou melhor a barbaridade, segundo ele próprio, num ato de catarse) pelo que faziam e do presidente da Comissão Ética dando o voto de Minerva por sua manutenção no cargo são suficientes para evidenciar a opereta bufa que interpretam e atrás disso a rigidez do ordenamento que os protege, a certeza da impunidade.

Momento novo?
Há a impressão com os casos de Curitiba e Londrina, lá a atuação tanto do povo como da justiça é mais eficiente, que estamos melhorando. No público não há essa visão, mas quase a certeza de que os mandriões se safam como se nota igualmente no caso do legislativo estadual, apesar da contundência dos fatos elencados. Posições como as de Beto Richa e Valdir Rossoni pela expulsão do vereador Derosso que até há pouco tempo cultuavam é oportunista, mas com o intento de sugerir distanciamento e que não têm nada com o mal praticado quando estão até o pescoço comprometidos pelo longo predomínio dele em mais de 15 anos comandando o legislativo municipal, em que era o substituto legal, na ausência do vice, o prefeito atual, do futuro governador.
Outro dia um promotor de justiça do Gaeco sugeriu que a operação gafanhoto poderia acabar em prescrição sem punição. Ora o MP é uma das instituições que no âmbito de suas tarefas deve ter a preocupação de evitar que a passagem do tempo torne os delitos impuníveis. Urge discutir todos os óbices, inclusive os de natureza institucional, que facilitam a impunidade.
Como se vê é mais fácil, é claro que com a arregimentação da mídia, fixar os fundamentos processuais do mensalão do que haver qualquer progresso na ação contra o mensalinho. O mensalão chegou ao Supremo Tribunal Federal, mas o mensalinho, que poderia em parte ser resolvido no Tribunal de Contas, permanece intocado ainda que envolvendo, por ação ou omissão, a esmagadora maioria dos vereadores.

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