Disputas microrregionais
Da mesma forma que temos competições regionais, como a que tivemos com Santa Catarina na sediação da refinaria de petróleo, que acabamos ganhando e nossos vizinhos tiveram a compensação do porto na Enseada, existem aquelas de traço microrregional, como agora na localização das unidades industriais da Klabin em seu arrojado programa de expansão.
Uma das unidades ficará numa região de transição de solo e flora, terreno bastante dobrado na Serra do Cadeado, em Ortigueira, bolsão de miséria com IDH baixíssimo. Há intensa expectativa em torno das decisões da maior papeleira da América Latina. Uma sociedade deprimida pode ter num fator desses a alavanca para superar adversidades estruturais.
Houve tempo em que tínhamos estudos sistemáticos, em áreas como a de planejamento e a de desenvolvimento urbano, capazes de identificar em mapa toda a massa crítica, a base de dados de cada uma delas, suas vocações e pontos de estrangulamento. Isso hoje se esgarçou, o Estado piorou a sua performance, perdeu quadros. É claro que a essa época o Estado - e tínhamos instrumentos como a Codepar (depois Badep) - exercia um papel indutivo no desenvolvimento, saia à frente na indicação de iniciativas. Hoje temos empresas, não muitas, mas aquelas de natureza estratégica, em condições de executarem suas estratégias. Ainda mais quando suas ações extrapolam o sentido puramente local por sua atuação em escala mundial.

Leigo em tudo
O Estado está ficando leigo em tudo: delega e terceiriza suas atribuições a Ongs e Oscips e tende a se tornar leigo em planejamento. Vimos recentemente a questão da fiscalização do pedágio como evidência desse descarte, passando a setores privados aquilo que o público poderia desenvolver. Um órgão como o Departamento Estadual de Estradas de Rodagem perdeu expressão e até a sua sede histórica foi ocupada pela Secretaria de Obras. Queixa-se o quadro original de engenheiros dessa mistura, que os obriga a desenvolver atividades fora da sua especialidade, como construção e fiscalização de postos de saúde e escolas. Houve um tempo, em fase pioneira, que o DER construia estradas por administração direta.
Toda a fase de desenvolvimento de Munhoz da Rocha em diante, e que encontraria em Ney Braga o seu consolidador, dependeu do DER. Antes de Ney, tivemos com o coronel e engenheiro Luis Carlos Tourinho a elaboração e ataque à sub-base de obras como a da Rodovia do Café. Impensável algo parecido com aquele ciclo, tal o conformismo e a adequação do governo à transferência de responsabilidades e sua atrofia.

Entes privados
Felizmente alguns organismos privados como as federações da indústria e da agricultura montam seus próprios programas e de forma negociada, o quanto possível solidária (como se dá especialmente no modelo cooperativista), para identificar tensões, áreas críticas, numa diagnose permanente para evitar a perda de controles. E tiveram, pela ausência do Estado, que criar seus núcleos de estratégia e logística. A atual direção da Fiep mantém a rotina do contato permanente, inclusive por segmento, para não perder a visão de conjunto. E o Estado tirou o time de campo quando ainda havia espaços de intervenção.

mockup