A praxe

Nem tudo que é praxístico é legal ou moral. Esse mandamento óbvio não foi observado, como rotina, tanto na Câmara Municipal de Curitiba quanto na Assembleia Legislativa. Como o homem condenado a viver numa bolha de plástico por ser vulnerável à contaminação as duas casas legislativas tinham algo em comum: o antijurídico como regra, daí a extrema dificuldade que virá para caracterizar se um determinado ato é nulo, anulável ou inexistente.
A norma - a sub contratação, o envolvimento de funcionários, o festival de notas fiscais, os desvios, o uso de indicadores fiscais de gente humilde para movimentação de recursos- era a infração e não o que está nas leis e no Código de Contabilidade Pública. Pergunta-se: se isso acontecia há tanto tempo, e por isso mesmo era praxe, como é que o Tribunal de Contas nada detectou, já que seria impossível esperar que a Comissão de Tomada de Contas o fizesse? Houve
um tempo, inclusive, em que o cartel do transporte coletivo além de dar uma
segunda remuneração a alguns legisladores praticamente dirigia as eleições da Comissão Executiva.

Balança

Em Fazenda Rio Grande o povão está irado com a balança rodoviária lá existente e que por sinal nem é usada. Por sinal que na área bem próxima do Parque Verde, à época em que o distrito pertencia a Mandirituba, o prefeito Geraldo Cartário colocou um desvio para que os caminhões escapassem do rigor da pesagem. Um introdutor indireto do pedágio no Paraná.

Sorvetaço

O governador raciocinava bem sobre a exigência do diploma para PMs - o argumento de que o jovem que faz o serviço militar desde que capacitado em academia própria preenche o requisito da hierarquia e obediência para entrar na corporação - até que pisou na bola ao argumentar que o diplomado está mais apto à insubordinação, o que seria negativo. Como Requião, fala antes de pensar: o som mais veloz do que a luz.

Lanterna

Diante da mancha que tomou conta da Câmara Municipal da Capital ao prefeito Luciano Ducci foi conferida uma tarefa difícil - a de encontrar um líder que não esteja contaminado, algo parecido com a trajetória de Diógenes, carregando a lanterna, para achar um homem honesto ou mesmo um dos trabalhos de Hércules. Será mesmo um retrato da nossa sociedade ou estaremos mergulhados em sonambulismo, do qual ainda não despertamos? O posto é do Serginho, Serginho do Posto.

Folclore

De repente começam a desaparecer marmitas de trabalhadores no Passeio Público e uma rapidíssima sindicância da prefeitura apurou que os autores dos desvios eram parentes distantes do homem, os macaquinhos que saiam das jaulas.

Ciclofaixa

Como praticante do ciclismo, o secretário municipal de Trânsito, Marcelo Araújo, promete desencadear uma campanha pelas ciclofaixas na cidade. Como dizia Dalton Trevisan o peito do ciclista é o seu parachoque.

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