LUIZ GERALDO MAZZA
Rejeição fatal
Deu para perceber na pesquisa Ibope-CBN sobre as eleições em Curitiba que o prefeito Luciano Ducci tem forte rejeição, inaceitável, pela tradição do ''modelo'', num patamar de 32%, 4% a mais do que o Ratinho Júnior e 16% a mais do que Gustavo Fruet. E isso se dá no momento de máxima exposição desde fase anterior ao aniversário da Capital e também da deflagração do plano de obras. Esse o dado mais forte da pesquisa, pois até então, embora em terceiro lugar, Ducci vinha em empate técnico aos poucos se distanciando dos dois líderes de forma significativa. Para baixo, é claro.
Como o governador está envolvido até o pescoço na campanha, ele é o grande derrotado do processo ao menos por enquanto. E ontem, durante a sessão que tratou dos percentuais que secretários e diretores terão que demonstrar em eficiência de gestão, algo que ninguém engole sem alguma indigestão, se a questão político-eleitoral fosse submetida a essas critérios tanto Beto Richa quanto Ducci teriam que receber cartão vermelho por não alcançarem 70% das expectativas razoavelmente criadas.
Outro dado relevante da pesquisa é a consolidação da Candidatura Ratinho Junior que comprovou ter musculatura para crescer com mais independência do que Fruet, hoje quase refém do PT e do seu grupo majoritário, mais ainda em primeiro se ajustarmos sua credibilidade à baixa rejeição.
Tudo isso é transitório como tudo na vida, como diria um paciente de UTI ou aquele cara que ao cair do 40º andar na passagem pelo décimo. Até aqui tudo bem, como repetiria o novo comandante de marketing da campanha oficial.
Mídia atuante
A mídia atuante, como nunca, já que em eleições anteriores ela não se punha tão crítica quanto agora, é uma das causas do declínio na medida em que o tal ''modelo'' é diariamente contestado na unidade de saúde que não funciona, no critério privilegiado de ruas e bairros para obras, na vulnerabilidade do sistema de drenagem com enchentes, no mau estado de calçadas e pontes, o caos da circulação engarrafada.
Aquela afinidade entre a cidade e o ''modelo'', que inibia críticas, e que era o fator chave das vitórias sequenciais, está minado. De mimado acabou
minado como um campo de guerra. Já não prevalecerá a chantagem psicossocial de quem ama a cidade não a critica que levou Vanhoni a perder a eleição por ser extremamente cauteloso em suas poucas críticas ao ''modelo''.
Richa em risco
Ao fazer de Curitiba, por motivações óbvias (foi prefeito reeleito), sua base prioritária na campanha eleitoral pode ter a sua carreira interrompida, ainda que perca apenas de Lula como condutor-chave e tendendo a abandonar Londrina, sua terra natal, onde seu partido não tem nome palatável, Beto Richa é quem corre os maiores riscos no pleito municipal.
É possível reverter tal contingência, mas fazê-lo é cada vez mais difícil.





