LUIZ GERALDO MAZZA
Ausência fatal
Não bastasse a instituição universitária estar ocupada em parte pelo baixo clero, temos no setor discente o clima de mediocridade que leva a casos lastimáveis como esse do diretório de Direito da Federal, o Hugo Simas, com o guia de calouros de um partido acadêmico, o Democrático Universitário, que tanto reboliço causou por parte, inclusive, da imprensa nacional, no qual tratam as mulheres com extremo desrespeito na questão sexual.
As instituições universitárias estão aparelhadas politicamente, como é notório o caso da UNE, aliás hoje e sempre chapa branca. Sob Jango, como antes com Juscelino, tinha ligações orgânicas via Ministério da Educação, que fomentava no pré-64 as ações do Centro Popular de Cultura (CPC), voltado para o proselitismo ideológico ao lado, especialmente, do Instituto Superior de Estudos Brasileiros (Iseb). Algumas produções do CPC, como a sequência de curtas ''Cinco Vezes Favela'', não deixam de ser um referencial importante na filmografia brasileira, como de resto as criações musicais críticas ao imperialismo, como a Canção do Subdesenvolvido.
Rejeição ao pensamento
Mesmo assim, com esse viés nada democrático, havia perspectiva nos debates em congressos estaduais ou nacionais de coisas inteligentes e criativas, ainda que num clima confessional, autárquico, obrigatório. Volta e meia lembro de uma assembleia, cheia de incidentes, em que votamos um pedido de comutação da pena do casal Rosemberg (Julius e Ethel), acusado de haver transferido segredos atômicos à União Soviética. E assim participamos de campanhas como a do petróleo, da siderurgia e tantas outras.
O produto dessa brincadeira de mau gosto, que deu margem à discussão em que tentaram envolver até o Conselho Universitário, merecia ser julgado pela própria comunidade acadêmica e instituições como o diretório, instância afinal apropriada em termos de autorregulação até para que os próprios estudantes, se é que é preciso, façam a profilaxia em cima do tal guia de mau gosto. Seria um momento apropriado para analisar as causas mais profundas da decadência dos embates estudantis, da desagregação de sua ''inteligentzia'' e desse culto entranhado à superficialidade e no exercício de um humor grosseiro que nega a busca da sutileza e do talento.
Universidade em questão
Os sistemas de avaliação existentes detalham a decadência do terceiro grau, consequências da apatia dos dirigentes do setor e de mestres e alunos, pois afinal todos têm a ver com o assunto. A revelação recente por um jornal de Curitiba que de cada dez doutores no terceiro grau sete são importados mostra uma deficiência estratégica, fundamental, de estruturação e justamente quando o item de avaliação maior está na titularidade.
Uma das questões a apreciar seria o ganho, se é que houve algum e sou muito cético a respeito, possível que tivemos com essa eleição direta para o comando das universidades, tomadas pelo assembleísmo barulhento e com um tom fascistóide, onde eleitores se comprazem, por vezes, em eleger o bedel para caricaturar o corpo docente. Em país sério isso é desprezado por sobrepor o lado político ao técnico-científico e mesmo da construção da cidadania.





