LUIZ GERALDO MAZZA
Bolo não repartido
Um dos saques do ''milagre'' brasileiro era o axioma de que o bolo, isso é o PIB nacional, só poderia ser distribuído depois de crescer bastante. Nas relações fiscais se percebe que tudo continua como dantes no Paraná: o chamado ICMS industrial é revelador. 200 municípios respondem por apenas 0,1% do total e 300 por 1,1% e do arrecadado 91,6% provém de 19 cidades e dentre elas Curitiba, Araucária e São José dos Pinhais detém 67,6% do tributo.
É uma obra perfeita e ao mesmo tempo perversa de alta concentração, tema que frequentemente abordamos para acentuar desníveis regionais e mostra que o eixo industrial Curitiba-Ponta Grossa é a máxima evidência desse quadro e que tende a manter-se e até acentuar-se com os investimentos anunciados. Um dos que foge ao diagrama é o da expansão dos projetos da Klabin, em quase R$ 7 bi, que beneficiará um grupo de cidades na vocação local na produção de matéria prima assentada no eucalipto. A disputa pela sediação da nova unidade empolga.
Se houvesse inteligência no debate eleitoral se perceberia que é mais fácil distribuir o bolo dos 319 anos de Curitiba, hoje, do que aquele da economia.
E todo mundo sorri para a fotografia.
Linha Verde
Tumultuário e novelesco o enredo da Linha Verde. Aliás o Detran, com razão, diz nada ter a ver com a fiscalização do setor, a não ser em casos de acidentes com vítimas. Quem deveria cuidar, e não cuida, é a Cetran substituta da Diretran. O que pretendia ser um modelo virou o caos e até a conclusão do corredor continuará tumultuando pela deficiência de transposição, nem sempre resolvida com trincheiras, como se viu agora.
O ''público''
Uma das demagogias de Requião, mais badaladas e inócuas. a do porto público ficou desmoralizada em sua gestão dupla: só funciona o que é particular como o Terminal de Contêineres que ele tentou inviabilizar e que só funcionou em boa parte do tempo com liminares. Enquanto o porto não investe, e quando o faz se perde em frustrações como a dos terminais do álcool e fertilizantes, inúteis, e favorecendo grupos privados, para não falar na draga chinesa, o TC faturou R$ 334 milhões o ano passado e investe em equipamentos e ampliação do cais agora em R$ 250 milhões. Enquanto o lado público (sacanagem, desvios, indústria das ações trabalhistas, ineficiência) se perde o privado cumpre sua parte. A denúncia de venda de cargos não surpreende. O que funciona é a queda de tempo de carregamento no Terminal de Contêineres em 36% e a de espera para atracação em 37%.
CNJ e Paraná
Mais uma deficiência posta em relevo na Justiça paranaense pelo CNJ: aqui a recuperação de dívidas fiscais é 38% menor do que a média nacional. Como dizia Hamlet, o príncipe atormentado, há método demais na loucura.
Folclore
O deputado Tadeu Veneri elogiou ontem Beto Richa. Só falta Beto pedir o direito de resposta como Lerner fez comigo replicando nota favorável.





