LUIZ GERALDO MAZZA
Temor do ''livro negro''
A oposição mais uma vez se candidata, como das outras, dentre elas as duas do PT com Vanhoni, à derrota eleitoral na Capital, pois o sistema é muito forte e irrigado ainda pelo governo estadual. Nessas duas em que quase chegou a aliança evitou bater forte, fazer denúncias, com receio de uma suposta identificação entre o público e a turma do poder em função da ''lavagem cerebral'' lernista que deixou sedimentos ao longo do tempo.
A única vitória contra o grupo dominante foi a de 1985 e assim mesmo porque beneficiária da resistência ao regime militar, uma vez que Lerner era um dos garotos propaganda do lado positivo dos milicos e que sofreu um massacre em matéria de desqualificação. Assim mesmo perdeu por menos de 20 mil votos.
Pois agora tanto Ratinho Júnior como Fruet insistem na diplomacia e o mais
crítico dos oposicionistas tende a ser Rafael Greca. A maior dificuldade é encontrar, por exemplo, empreiteiros e prestadores de serviços colocados à margem como denunciantes porque temem o ''livro negro'', daí a escassa existência de material contundente nessa área e sabe-se de muitas irregularidades, mas na hora das provas documentais crescem as dúvidas.
Interior: pouco apoio
Ao contrário dos outros governantes, Beto Richa joga tudo em Curitiba e pouco no interior, não sabendo mesmo o que fazer em Londrina (seus antecessores chegaram a transformá-la em praça de guerra para eleger Belinati) já que vê a Capital como chave na sua carreira e reeleição. Em função do PMDB, também hoje aliado, evitará arestas em numerosas prefeituras. Inevitável o desgaste daí resultante, já evidenciado na ação preferencial de investimntos no eixo Curitiba-Ponta Grossa que tanto irrita os deserdados.
O pleito, por isso mesmo, deixará sequelas de difícil remoção.
Baderna
Não há fiscalização na Linha Verde e a área, que era da Polícia Rodoviária, passou para o Detran que está depauperado, apesar do tarifaço.
De novo
Além da greve dos porteiros, verdadeiros marginais da economia com piso muito próximo do novo mínimo, vai ser deflagrada a dos auditores fiscais, delegados e peritos da Polícia Federal. Um tsunami reivindicatório.
Folclore
Ontem, ainda pela manhã, servidores da sáude (em luta por salários melhores e pela redução da jornada de trabalho, já obtida na Prefeitura de Curitiba), em manifesto na frente do Palácio Iguaçu, ao sair o sol no meio das nuvens enferruscadas, o orador do carro de som disse esperar que o Astro Rei iluminasse a cabeça dos governantes. Bastou a invocação para que o sol sumisse e o negror predominasse. Fica a impressão de que o Astro Rei continua sendo Requião, ao menos na opinião dele e de alguns seguidores e familiares.
Sanepar
Na CCJ não avançou o decreto de revisão das tarifas da Sanepar. Esforço de oposição deve ser feito no Judiciário e na Comissão de Valores Mobiliários.





