LUIZ GERALDO MAZZA
Prensa geral
O governo, estadual e municipal, lembra São Sebastião transfixado pelas flechas. É tempo de eleição e de reivindicação. De nada adianta o secretário da Fazenda, Luiz Carlos Hauly, afirmar, como fez recentemente na Assembleia, que os dispêndios com pessoal atingem 62,5% do orçamento, com lesão aberta e ainda sangrando, do limite prudencial da Lei de Responsabilidade Fiscal.
Professores estaduais se mobilizam para a greve e os municipais já deram os primeiros passos para suspender as aulas. Na fila os universitários do sistema estadual. E virão outros e mais outros justamente para saturar o ambiente.
Funcionário público, quando reivindica, age como se além do Erário existisse para suplementar recursos aquele pote de ouro na base do arco íris. Como não temos a mínima vocação para a austeridade - e já não temos dirigentes que se recusam a cortejar a multidão - essas manobras acabam sendo atendidas numa prova de que em matéria de vida pública renunciamos à racionalidade.
Orçamentos deveriam ser plano de governo, razão pela qual em sua elaboração o Legislativo deveria enxergar uma de suas atividades básicas e inclusive formar quadros para dominar uma área essencial. Elaboração e execução da Lei de Meios é fundamento orgânico do sistema.
Acumular energia
Com a proximidade do pleito, e ainda mais dos limites para permitir aumentos salariais, conforme a legislação eleitoral, urge acumular energia. É por isso que policiais que calaram durante os dois períodos de Requião relativamente ao acúmulo de reposições, agora se tornam ávidos diante de um governo que não é autoritário mas também não faz exercer a autoridade, princípio sem qual some o mínimo de respeito.
Se todas as áreas do funcionalismo, especialmente as que tem reposições a reivindicar, se alinharem na bateria das mobilizações vamos experimentar um ciclo tenso e é claro dependente da forma como se encaminharem as respectivas demandas. Ficou evidenciado que o melhor mediador é Luis Eduardo Sebastiani, o secretário de Administração, a quem cabe botar um mínimo de ordem no caos. As perspectivas de médio prazo não se mostram favoráveis a não ser que num ano eleitoral o governo se dedicasse a uma batalha fiscal, já deflagrada em 2011 em vários municípios do Paraná e com respostas nem sempre suficientes.
Dívida ativa
Setores especializados da Procuradoria Geral do Estado apontaram para a Dívida Pública, equivalente a um orçamento, o alvo da possível remontagem das finanças. Essas se revelam em crise e que os tarifaços do Detran e Sanepar se mostram impotentes para uma efetiva reversão. De outro lado todo o programa do Paraná Competitivo se baseia em ''renúncia'' fiscal ou ao menos dilação do principal tributo, o ICMS. Como também há a ideia de valer-se de renúncia fiscal para evitar o aumento dos desequilíbrios regionais em favor dos que estão longe de obter as vantagens locacionais do eixo Curitiba-Ponta Grossa.
Executar dívidas podem também matar empresas ainda capazes de sair da crise e continuar gerando empregos. Depois do balanço das reivindicações é que iremos saber se temos chance de uma saída da crise anunciada.





