Greve, sem armas

Greve de funcionário público foi amparada por decisão do STF na sua fase mais ativa junto com a adoção do nepotismo e tantas outras. Parar pode, mas sem as armas da República. Essa é uma contingência ética e operacional: se está em greve obriga-se a entregar as armas para não usá-las como intimidação ou ainda instrumento de força. Tanto para a civil como para a militar, abdicação das armas seria um caminho pacífico e não desequilibraria a relação de forças, permitindo a continuidade do diálogo. Com armas na mão é motim.
Claro que a decisão da instância superior pela greve não entrou em detalhes como deve ser feita e a abolição das armas é ato de civilidade que não impediria a reivindicação, ao revés a facilitaria. Todos estão lembrando que o desembargador presidente, que concedeu a liminar impeditiva, foi oficial bombeiro, logo é um apagador de fogo.

Simetria

O desembargador Miguel Kfouri concedeu liminar restabelecendo a cobrança do tarifaço do Detran por não ver sentido numa decisão monocrática que inquinou a medida de inconstitucional e agora quem se valeu do instrumento monocrático foi ele ao declarar ilegal a greve. É claro que a greve está autorizada para funcionários públicos em geral por decisão do STF. No caso, porém, o detalhe das armas deve ser apreciado, por ser evidente a quebra das relações de equilíbrio entre as partes. Negociar armado é demais.
O Tribunal de Justiça tem uma tradição de postar-se a favor do Executivo. A prova mais recente foi a escolha de Maurício Requião para o Tribunal de Contas, enquanto o irmão mais velho estava no poder, ainda que em processo irregularíssimo como o da derrubada de uma decisão de desembargador de igual hierarquia que impedia a posse; quando mudou o governo Ivan Bonilha foi considerado empossado legalmente. É claro demais ou não?

Exemplar

Quando professores fazem greve valem-se da autocrítica para ver como o sistema de ensino funciona? Claro que não, pois a urgência salarial desdenha qualquer reflexão. E os sistemas de avaliação mostram que o desempenho é mau. O mesmo se dá com a polícia. Nossa posição é abaixo do sofrível, tanto a civil como a militar, mas isso não lhes reduz a arrogância na hora de pressionar.
Se a nota no boletim fosse boa estariam cobertos de razão.
O que sobrou na Bahia, falta aqui ao governo: autoridade.

Fruet igual

Gustavo Fruet está igual a todos os candidatos que enfrentaram o time da Prefeitura de Curitiba. Lembra até o que mais perto chegou: Ângelo Vanhoni. Ontem foi na CBN e evitou polêmicas, embora se declarasse contra o metrô, que é a fonte luminosa dos dias atuais. Tem uma radiografia razoável da cidade em que identifica bairros e ruas com problemas.

Tarifaços

PT vai insistir nos tarifaços do governo: o do Detran e agora o da Sanepar que aumentou suas tarifas em 35% em dois anos, agora com 16,5%. Prova clara de que as finanças chegaram no fundo do poço e o governo não mente quando diz que está sem recursos.

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