LUIZ GERALDO MAZZA
Cinzas e reflexão
Passado o agito do carnaval, vivemos ontem um dia de reflexão apropriado ao ritual da aposição das cinzas dos católicos. Diz-se e com alguma razão que o ano começa no Brasil, e o Paraná disso não se exclui, após essa passagem. Mas já tivemos sinais perturbadores com o acúmulo das reivindicações salariais e as mais temidas as do setor público, incluindo aí a polícia.
O que é a polícia senão uma decorrência do único monopólio hoje tolerável que seria justamente o da força para garantir o instrumento de sanção da ordem jurídica. É a polícia, como instituição, pouco importando se civil ou militar, como portadora das armas da República, instrumento de conservação e garantia de sustentação da ordem pública, vale dizer do Estado, como na sua melhor, e mais específica definição, de nação politicamente organizada.
Estamos vivendo momentos de enlouquecimento das ideias quando juízes passam a usar linguagem de sindicalistas, o mesmo ocorrendo com policiais. Como aceitar a intimidação fascistóide dos PMs da Bahia e do Rio se valendo justamente das suas prerrogativas e armas para o motim?
Saúde, tema da CNBB
Como é da tradição, na entrada da Quaresma, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil lançou o tema da Saúde (que ela se difunda sobre a terra) na sua Campanha da Fraternidade. Aliás é um tema apropriado porque justamente nesse item do desenvolvimento (ao lado da educação e segurança), todos às voltas com o fermento reivindicatório de reajustes salariais, o da saúde é um dos que mais afeta a população como se percebe nas ações do Ministério Público ante a burla com as verbas do setor. Se no governo passado tivemos o hábito da inauguração de hospitais cenográficos, que não funcionam, como o corajoso promotor Fuad Faraj o demonstrou em relação a Ponta Grossa e que se estende a toda a rede como se vê no caso paradigmático do Hospital de Reabilitação de Curitiba que não funciona e estacionou na condição ambulatorial.
Mas se o governo passado burlou o orçamento, botando saneamento e campanhas como a do leite das crianças nos dispêndios com saúde, como ficou claramente desmistificado, o atual também comete um erro com o sistema de atendimento ao funcionalismo estadual e que praticamente inexiste. No fundo das demandas de servidores há a ausência desse ganho indireto que era bem coberto pelo IPÊ, Instituto de Previdência do Estado, e cujo substituto, mesmo na fase do Hospital São Vicente, não tem um mínimo de eficiência operacional, já que o Hospital da PM, indicado como substituto, mal serve para atender a própria corporação.
Os levantamentos demonstraram que a população despendeu mais de 50% dos seus recursos em gastos de saúde, apesar do seguro e dos convênios e ainda do SUS, no exercício anterior. Com o desleixo com a saúde, percebe-se que tudo que é social (não dá para esquecer ''Tudo pelo social'' do Sarney) não funciona, o que se repete nos domínios da educação e segurança.
Uma dicotomia intolerável é a que se estabelece entre desenvolvimento social e econômico. Qualquer senso de sustentabilidade exige a sua interação, a sua unidade indivisível.





