LUIZ GERALDO MAZZA
Governo sitiado
Um clima nacional facilita o desencadeamento de greves notadamente no setor público. A matéria é muito mal regulada, tanto que sua aceitação decorreu da fase do ativismo judicial, em que passou a agir como parlamento mandando às favas o sistema tripartite de Montesquieu. Obviamente jamais se admitiu greve de juiz ou de militares, no entanto elas ocorrem, o que prova a existência de um quadro de anomia.
Por que policiais militares e civis, ainda que aleguem reposições devidas desde os anos 90, não tiveram peito de reivindicar nos oito anos de Requião? Porque o governante se valia da intimidação e obtinha o recuo e o atual abriu demais o diálogo, fazendo o gênero ''bom moço'', agora é acuado não apenas com pedidos absurdos de reajuste de policiais civis e militares, mas também, de peritos criminais, de professores, enfim de repente da fauna toda. E a carga é de tal ordem que podem asfixiá-lo.
Ao menos há uma certeza: o empolgamento com o poder, o clima de lua de mel, acabou. Agora é preciso pensar antes de agir. Esse o lado positivo do quadro.
Para os delirantes um trauma, para os insensatos a catarse.
Deboche
Quando um oficial da reserva da PM argumenta que se o governo cumprisse os acordos de reposições um soldado ganharia R$ 7 mil dá bem a ideia do grau de irresponsabilidade dessa gente. Ele vive na Suiça ou em Berlim para imaginar tal ganho?
Tem outra simulação irritante, essa do Dieese, que deveria ser um órgão racional para a defesa do trabalho como fator de produção, que fala em salário mínimo de mais de R$ 2 mil. Baseia-se num decreto de Vargas, pai dos pobres, mãe dos ricos, sobre o salário mínimo e a cesta de bens que deveria cobrir. Só que se esquecem que à essa época apenas 20% dos brasileiros estavam na cidade e tinham acesso ao mínimo. Era a Justiça distributiva da moda.
Requião
Mais condenação de Requião, denunciado pelo Ministério Público Federal, por ataque a instituições e a imprensa em 40 programas da TV educativa. Se der uns R$ 50 mil de multa por programa chega à apreciável soma de R$ 2 milhões sem falar em custas judiciais. Parece o ataque do coxa: não dá uma dentro.
Dureza
Prefeitura percebeu, na greve dos coletivos, que é preciso regular melhor o mundo dos táxis, inclusive ampliar a frota ao menos em 600 veículos.
Folclore
O Crea inspecionou as instalações provisórias de carnaval no Centro Cívico, mas não se sensibilizou com a norma dos bombeiros que pretendia botar ordem no caos em nossas edificações e que foi barrada pela Fiep-Sinduscon.
Precatórios
O TJ de São Paulo aceitou precatório como garantia em conbrança fiscal.
Pode render jurisprudência. CNJ vai endurecer questão dos precatórios.
Luto
Milton Luiz Pereira e esposa morreram ontem, uma vida de glória e honra.





