Um dia decisivo
Ontem foi um dia decisivo para o Judiciário: ou ele abandonaria o convívio com resíduos da monarquia, expresso numa intangibilidade culturalmente tutelada, ou adotaria o aggiornamento republicano com o tríplice poder de Montesquieu submetido a algum controle para assegurar o funcionamento do sistema constitucional de freios e contrapesos.
O que surpreende nos dias que correm é que toda matéria polêmica fica submetida quase a empate como se viu na questão da ficha suja e se observa agora e dá impressão que a fundamentação jurídica veio de outra galáxia. Lembro de uma decisão do TSE em torno da verticalização que deu um resultado de 6 a um e depois que agentes políticos mostraram o lado perverso do entendimento a matéria retornou a votos e deu 7 a zero em sentido diametralmente oposto.
Obviamente fica difícil a noção de segurança jurídica em tal contexto. Sem segurança jurídica não há ordem e muito menos Estado de Direito Democrático.
Mas esse argumento é usado também pelos que querem amarras no CNJ.
Todos erraram
Tanto a Federação de Futebol, quanto a Urbs e a PM e mais a Polícia Rodoviária Federal todos têm parcela de culpa no ocorrido anteontem com o acidente que matou um estudante na saída do Ecoestádio. Era previsível que mesmo sem condições de abrigar a torcida atleticana boa parte dela estaria por lá e foi o suficiente para movimentação incomum. Há radicais que acham inviável a circulação na área enquanto não houver a passarela ecológica.
Menos fé
Embora os números sejam favoráveis (o do pleno emprego e o da atividade industrial com mais de 5%) há menos fé nas mensagens dos governantes do que em tempos de obras como as de Munhoz da Rocha, Ney Braga, Jaime Canet. Urge ânimo, busca de uma ideia-força atualizada a nossas aspirações, algo que nos conduza a autosuperação. Investimentos são bons, mas insuficientes.
Grana curta
Com a greve dos vigilantes, alguns bancos como a Caixa reduziram os saques a um máximo de R$ 700 e as demais redes não desprezavam a hipótese. Era vetor chave na greve de ontem.
Folclore
Numa causa de um cigano no Tribunal de Justiça o advogado tentou ficar nu para expressar inconformismo. O assessor da presidência, ex deputado federal,
Íris Caldart, teve que deter o ousado do strip-tease e lamentou que o episódio lembrasse o da Frinéia, no tribunal romano, que ficou pelada diante dos juízes e absolvida por sua irradiante beleza. E depois comentou com Henrique César, o presidente, que se fosse a Frinéia ele a prenderia, mas com má vontade.
Brincadeira
A banda da PM tocar, numa solenidade como a de ontem, jingle da campanha de Beto Richa pode ser tudo: gozação, sutilezas da operação-padrão e até um exercício de pura irreverência.

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