LUIZ GERALDO MAZZA
Malícia sim, milícia não
Caminhamos, como tenho dito, para a anomia e uma evidência disso é a ação sindical de policiais ganhar dimensões terroristas com um tipo de operação que tem como finalidade oblíqua constranger o poder público e criar um clima de suposição de que a mansão atacada, em que funcionava um cassino e um bordel, tivesse proteção oficial, direta ou indireta.
O fato é que as características dessa intervenção têm um traço de gangsterização forte, dominante, e que não podem ser toleradas. A nota da Segurança sobre o assunto é de uma prolixidade típica de quem, dominado pela perplexidade, não sabe anunciar algo que restabeleça o ordenamento administrativo violado.
A boa malícia
Quando se anunciou que a operação padrão teria uma linha aguda justamente de mostrar serviço ficou patente que teríamos respostas sutis e maliciosas para atingir interesses do poder. E isso, se feito com rituais aceitáveis, poderia realmente dar bons resultados pelos constrangimentos a amigos do rei que eventualmente se dedicassem a atividades ilegais.
Como as negociações salariais estão em andamento não há motivo para tanta precipitação e é evidente que isso não melhora a posição dos reivindicantes, mas acentua a certeza, mais uma vez e como quase em tudo, da impunidade, como se a instituição fosse tomada por uma espécie de catatonia, incapaz de sair de uma postura estatuária, impotente, contemplativa.
A boa e inteligente malícia é a que se diferencia do crime ao acusar a polícia e não a de agir como milícia, praga que mina a instituição de norte a sul do país.
Motim não é greve
Já tivemos, inclusive na área da Polícia Militar, ações de grave indisciplina com interferência no sistema radiotransmissor, embora às vezes suavizadas por sucessos bregas do Teló na base do ''eu te pego''. Instituição militarizada não acolhe a greve que aí tem conotação única, essencial, de motim. O fato é que numa época em que magistrados se acham no direito de fazer greve para conseguir reajuste tudo pode acontecer, conquanto uma atitude dessas tire do julgador amanhã o direito de postar-se contra uma ''parede'' abusiva.
No Paraná já tivemos duas experiências, uma com greve de juízes, burramente apoiada pela OAB, e outra com a arregimentação de esposas de policiais militares em bloqueio de quartéis, impedimento de circulação de viaturas com esvaziamento de pneus, fatores dramáticos praticados para tirar dos maridos a responsabilidade do amotinamento.
Na dicotomia autoridade-liberdade a balança anda pendendo para a anarquia e isso se deve à incapacidade dos dirigentes em saber adotar a posição de equilíbrio que expresse o poder concedido numa ordem democrática. Não dá para confundir autoridade com autoritarismo e liberdade com liberticídio, esse que ameaça engolfar tudo às vezes, pondo em contraste a ousadia dos radicais diante também de governantes pusilânimes.





