LUIZ GERALDO MAZZA
Mais virtual que virtuoso
Cada vez que os problemas ligados à segurança se agravam e estatísticas os confirmam os gênios de plantão dos governos aconselham políticas de marketing que devolvam a impressão ao público de que a polícia age. Ou então induzem o cidadão, objeto dessa manipulação, a convencer-se de que está mais seguro. A espetacularização do combate ao tráfico nas favelas no Rio - e haja aspecto de guerra na exibição de equipamentos do Exército e da Marinha e em eventos como o da prisão de um cardeal do banditismo - é exemplo disso e seguido de imagens de fatos pré-existentes como o de jovens moradores em escolas de balê ou como instrumentistas de orquestra como se aquilo, como num milagre, estivesse se dando agora em função do novo cidadão. O novo cidadão é uma abstração igual ao novo homem do socialismo e do fascismo, cada vez mais parecidos com a diferença reduzida à logomarca e ao cromatismo.
O governo paranaense, vez ou outra, sugere estatisticamente que houve baixa na violência, especialmente em homicídios. Não é o que a população sente até porque hoje, como se dava com os judeus na Segunda Guerra, todos têm um parente alcançado pela brutalidade. Não é possível em Curitiba, Londrina, Foz do Iguaçu, Maringá, cidades de porte, fugir à equação: alguém foi morto, escapou com dificuldade de sequestro ou sofreu atentado ou alvo de roubo e de furto. Essa noção está na cabeça de todos e não se modifica com recursos de propaganda, por mais bem urdidos que sejam, para substituir a impressão dominante por uma de calma e tranquilidade, como se tenta fazer no Rio.
Saques históricos
Apenas um secretário de Segurança (o Chefe de Polícia correspondia a ele nos anos cinquenta) conseguiu até hoje, no caso do Paraná, fazer carreira política ascensional, primeiro como prefeito da Capital, depois como deputado federal e a seguir governador e senador. Isso aconteceu com Ney Braga. Em escala menor tivemos Italo Conti como deputado federal. Naqueles tempos enfrentar o crime era bem mais fácil, tanto que Ney se notabilizou por desvendar o primeiro caso de sequestro e morte de taxista, cujo corpo foi lançado nas águas do Voçoroca.
Vários secretários cultuaram o sonho eleitoral na pasta, dentre eles um gênio da área e cardeal dos quadros da Polícia Federal, Moacir Favetti, e que não se deu bem como ocorreu também com Haj Mussi, este um intelectual de ponta.
Para executar o plano de distribuição de terras, o governo Ney Braga fez a operação jagunço em Cascavel precedendo a ação do Getsop (Grupo Executivo de Terras para o Sudoeste), orgão misto da União e Estado, no governo Jango, e que possibilitou uma das maiores partilhas de terras. O aparato militar tinha objetivos suasórios. O objetivo macro se autojustificava. Depois tivemos um ciclo de mediocridades como a dos módulos policiais, o policiamento comunitário e volante de Requião (Povo), o totem de Lerner, tudo com objetivo de ocultar a falta de efetivo e dar a impressão de segurança. Um desastre.
O uso de recursos psicológicos ou administrativos como o de sugerir a maior presença de policiais nas ruas é apenas fuga. Como também o hábito de manipular estatística, este o pior de todos.





