LUIZ GERALDO MAZZA
Hegemonia ameaçada
O grupo que permanece no poder tanto no Estado quanto na Capital, pela vez primeira, sente a perspectiva daquilo que sempre pareceu impossível: a derrota, embora uma oposição fragmentada. Na realidade o bastião hegemônico é a Capital que só perdeu em 1985 com o pleito plebiscitário entre Jaime Lerner e Requião, este carregado às costas por José Richa como Jesus por São Cristóvão. Algumas vezes a oposição esteve perto de ameaçar especialmente quando Ângelo Vanhoni, apoiado por Requião, emparelhou com Taniguchi.
Um baixo astral hoje persegue o prefeito Luciano Ducci, mantido como candidato e com tal empenho que a Gustavo Fruet não restou recurso que não o de mudar de partido, tal o cordão sanitário estabelecido. Desastres como o da Consilux (com aquela revelação no ''Fantástico'' de que era possível glosar multas dos amigos) e, mais tarde, o impacto da decisão judicial que derrubou a dupla Urbs-Diretran por usurpação do poder de polícia tiveram sequência nessa desastrosa e ilegal operação de telemarketing com o prefeito fazendo promoção de si mesmo nas linhas telefônicas, o que ai lhe pode render um substancioso processo por improbidade, tanto que o juiz que concedeu a liminar proibitiva pede o levantamento dos cálculos de gastos oficiais com a indevida jogada.
O beneficiário
Quem será o beneficiário dessa interrupção na sequência vitoriosa é que não se sabe porque o desejo do casal ministerial Gleisi Hoffmann-Paulo Bernardo de um apoio já no primeiro turno a Gustavo Fruet encontra resistências no PT e da parte de dois candidatos sem a menor condição de agregar votos para ganhar a parada e além dos mais dotados de estilos que Curitiba, conservadora, rejeita.
Está certo Ratinho Júnior em aproximar-se do PT desde já porque aparenta condições quase semelhantes às de Gustavo Fruet na mobilização do primeiro turno. Assim teríamos dois postulantes de oposição capacitados à formulação de uma aliança em condições de remover um tabu.





