LUIZ GERALDO MAZZA
A baderna como método
Nem o governo e muito menos a oposição se saem bem nesse episódio dos debates em torno das Organizações Sociais. Pobreza técnica e doutrinária é flagrante. E se nesse aspecto as partes empatam, no que diz respeito à mobilização de grupos sindicalistas, a pretexto de cobertura contra a paranoia da ''privatização'', sacada ideológica que normalmente inibe o situacionismo e assanha a oposição, foram mais exaltados e bem mais perigosos do que a torcida mais radical do Atletiba. E ontem extrapolaram todos os códigos admissíveis pelos cultores do mito das barricadas. Uma deputada chegou a comparar a arregimentação havida aquela que tivemos com a votação da lei de iniciativa popular que proibia a venda da Copel e que acabou derrotada por diferença mínima de votos. Quem, na realidade, impediu não foi nem a postura dos que assinaram a lei e muito menos a vigilância dos que acompanhavam os debates na Assembleia. Quem derrotou o leilão da Copel não foi a massa unida e sim o mercado que a rejeitou em função da derrubada das torres gêmeas nos Esteites e do apagão que já se manifestara no Brasil o que arrepiou os possíveis interessados.
Mas os defensores das barricadas usaram à exaustão até imagens como se eles e não o mercado que repeliu o leilão.
Moratória excessiva
Preocupado em não dar margem a medidas mais fortes como a evacuação que se impunha das galerias, o presidente Valdir Rossoni perdeu muito tempo com as delongas e não advertiu com a energia necessária as manifestações do grupo arregimentado, o que serviu de estímulo para que eles fossem mais longe, invadindo o plenário e com alguns dos participantes, como a TV Sinal mostrou, rasgando material do expediente dos deputados e afrontando-os com selvageria. Afinal esperava-se tragédia no dia anterior, no domingo, em função da última partida do campeonato nacional, o nosso Atletiba. Há quem tenha achado um exgero o aparato montado para prevenção de atos de violência com milhares de PMs e guardas municipais. E percebeu-se, ontem, na Assembleia, que pela gravidade das agressões contra o funcionamento da Casa, talvez parecesse indispensável algo em termos de prevenção-repressão com a adoção de medidas inibidoras como as havidas no futebol.
Firmeza necessária
Evidente que a transmissão daquilo que ocorreu ontem em TV 3D não daria uma
dimensão mais civilizada ao evento na compulsão modernizadora da Comissão Executiva. Da mesma forma que a Constituição é uma arma do cidadão no caso da Assembleia o Regimento Interno é a garantia de funcionamento da instituição e se há um tipo de agressão que ameaça o funcionamento do Poder como aconteceu não existe outra forma de agir que não contemple a expulsão da selvageria, a sua remoção imediata do recinto.
Atitudes agressivas dos manifestantes, principalmente quando invadiram o plenário, exigiam medidas radicais e não contemporizadoras. Uma Assembleia que assume um projeto de saneamento não pode ser tão inibida e condescendente.





