LUIZ GERALDO MAZZA
Amarras e ruptura
O Ministério Público afinal enquadrou o Derosso e pede em liminar o seu afastamento. Haverá resistências da sociedade cartorial como houve do pedido da mesma instituição em 1996 para impedir que a Urbs continuasse multando: a matéria ficou quinze anos no Tribunal de Justiça. Espera-se que a tensão atual não demore tanto. Não precisa ser feita em quinze dias, mas em quinze meses já seria exagero. O MP fez o que devia, mas a ruptura é ainda distante.
Contestado, cem anos
O Instituto Histórico e Geográfico do Paraná pretende, em 2012, celebrar o centenário do Contestado. Além das perdas territoriais e políticas tivemos baixas no campo documental, tanto que Santa Catarina nos sobrepuja em quaisquer dos ângulos que se analise a questão. Há um esforço agora para recuperar em parte o tempo perdido: se Santa Catarina tem o romancista Guido Vilmar Sassi com seu ''Geração do Deserto'' temos o nosso Noel Nascimento com o romance ''Casa Verde'' e assim se dá no campo do cinema (Sylvio Back fez ''Guerra dos Pelados'', ele também catarinense curitibanizado) e em outras manifestações.
Costuma-se dizer que o Contestado perde para a saga de Canudos porque teve na reportagem-ensaio de Euclides da Cunha em ''Os Sertões'' a peça que deu realce às lutas messiânicas de Antonio Conselheiro. O empenho de Ernani Straub é justamente o de reduzir distâncias, unir documentação e fazer da comemoração um marco em nosso desenvolvimento cultural.
Temor superado
Com as providências que vem adotando no campo das parcerias público-privadas e notadamente do pedágio, o governo estadual sai da perplexidade que mostrara no início e passa a estabelecer os primeiros elos de uma corrente em cima de uma das nossas maiores deficiências, a da infraestrutura econômica. Espera-se algo de convincente, que rompa a atual estagnação, com relação aos portos, embora, reconheça-se, o ritmo até aqui seja decepcionante.
Um avanço houve: a ideologização do tema parecia amedrontar o governo e agora ele dá sinais em sentido contrário.
O passe de Alvaro
Outro dia falaram que o senador Alvaro Dias poderia disputar o governo de Brasília, agora recebe um convite de Marcelo Alencar para transferir o seu título eleitoral para o Rio de Janeiro. O PSDB aqui, pela turma do poder, procura esnobá-lo e faz isso às claras; nacionalmente é um nome forte. A província é ruim, perdeu de lavada do Hermas Brandão no último racha.
Folclore
Liberalino Estevam, poeta populírico, na eleição de 1965 foi agente duplo. A quadra pró oposição era assim: ''não assopre contra o vento// que o vento não tem lei// seja Bento cem por cento// mil por cento contra o Ney// E para outro lado: ''Nessa era tão moderna// e de tanta confusão// Paraná não se governa// com uma garrafa na mão//'' Era uma antiga injúria, divulgada por jornalista ligado a Lupion, que os adversários usavam à procura de defeitos em Bento...





