República inexistente
O patrimonialismo marca o nosso país de tal forma e com tal extensão e profundidade que inviabiliza a noção de República, o que não impede que comemoremos a sua proclamação como se ela existisse em sua perpectiva não profanada. As crises sucessivas em todos os níveis de governo em função do alastramento da corrupção e das práticas oligárquicas o evidenciam.
A supervivência do feudalismo, que parecia exclusividade do nordeste, está presente no Brasil desenvolvido, no sul e no sudeste. A representação, seja a parlamentar ou de governos, é repetitiva, endêmica e a impossibilidade da renovação desses quadros é notória, mesmo com os supostos avanços detectados pelo IBGE na mobilidade social e adensamento das classes médias.
Quando se adorna o conceito de república a um adjetivo com intenção ideológica como o de ''popular'', ''socialista'', ''bolivariana'' ou mesmo as nossas ''nova'', aquela de Tancredo, ou a ''morena'' do brizolismo ou ainda a ''cidadã'' de Ulisses Guimarães, percebe-se o quanto o significado se distancia do conceito original. Jefferson Peres, o saudoso senador, deixou um ensaio jornalístico sobre o tema para que a refundação republicana se constituisse em nossa causa maior.
Nossa primeira constituição, a de 1891, pretendeu ser fiel ao espírito do regime, mas nos condicionou muito ao que vinha dos Estados Unidos da América do Norte, embora o legislador decalcado seja menos detalhista e tenha um texto da Lei Maior extremamente reduzido ao contrário da nossa tradição caudalosa e reafirmada na de 1988 e suas alterações.
Fantasmas
Apesar de ter recuado na montagem das agências reguladoras, e justamente em função da desconfiança que ela acobertaria intentos privatizantes, o governo do Paraná resolveu assumir essa linha não apenas nos portos como também na questão do pedágio nas estradas. É melhor que o faça do que manter uma posição ambivalente e dependente de circunstâncias.
Na realidade se o intento de fomentar as parcerias público-privadas é verdadeiro e uma prática que passará a definir um estilo de gestão nada mais correto do que assumir o viés privatizante. É preciso, no entanto, ter firmeza
e uma doutrina clara para bem expô-la.
Piada pedagógica
Há uma charge feita ao tempo da Constituição de 1891, primeira republicana, já que a monarquista é de 1824, muito interessante a respeito da influência sofrida dos Estados modernos, especialmente os Esteites: teriam feito uma roupa excepcional para o caipira e os hermenêutas agora estavam na dúvida se esperavam o cara crescer para caber na fatiota ou então se cortavam os seus excessos para ajustar-se ao corpo.
O estadista paranaense Munhoz da Rocha captou as extravagências do legislador brasileiro, tomado por excesso de idealismo voluntarista, ao entender que a lei é suficiente para mudar a realidade quando depende de outros fatores mormente culturais e psicossociais.

mockup