LUIZ GERALDO MAZZA
Difusão do bem-estar
No tempo em que o planejamento no Paraná era uma rotina da ação prospectiva e interventora, mais indicativa e mediadora, do Estado no processo econômico um dos timbres - e me lembro que ele veio no retorno de Ney Braga ao governo, desta feita por eleição havida no Colégio Eleitoral criado pela redentora - era justamente a difusão espacial do bem-estar, o conceito desejado de uma atuação que beneficiasse todas as regiões e sobretudo evitasse, o quanto possível, oa desníveis internos. É claro que mesmo em economias sólidas há os chamados bolsões de pobreza como os temos na região central do Estado, em áreas do arenito Caiuá, o ramal da fome no norte pioneiro, a depressão do Vale do Ribeira e do litoral.
Com a divulgação do IDH, Índice de Desenvolvimento Humano, da ONU, ficou mais fácil definir os pontos depressivos socialmente do Paraná e normalmente os governos - e Requião fazia também essa referência - procuraram dar respostas a essa estatística sombria. Na verdade nem sempre uma concentração de esforços em área subdesenvolvida dá as respostas esperadas até porque cada situação exige uma terapia diferenciada.
Pouco estudo
Há menos estudos sistemáticos, reflexões de grupos técnicos, do que ao tempo dos governos anteriores a 1980 que não permitiram, de forma alguma, que as rotinas, como essa do acompanhamento desse ''desenvolvimento descentralizado'' sofresse solução de continuidade. A construção, importante é claro, da ferrovia entre Guarapuava e Cascavel é uma evidência clara de desprezo ao planejamento pela circunstância de haver desconsiderado a diferença de padrão daquele trecho moderno, que teria custado mais de US$ 300 milhões, com o restante da linha, degradada, desatualizada, em direção ao porto de Paranaguá. A solução de Lerner também não foi razoável no concernente à concessão da linha e o mesmo se repetiu com Requião.
Das experiências do PMDB para cá, excluindo-se um período curto de José Richa, quando Belmiro Valverde ocupava a pasta de Planejamento, o que se percebeu foi o abandono daquela preocupação e que chegaria também a Lerner, o que é claro na chegada das montadoras com a falta de uma logística menos concentradora e que parece repetir-se agora com a fábrica de caminhões Packar em Ponta Grossa e a anunciada chinesa que poderia pintar por aí.
Retomada
Houve a esperança com a nomeação de Cassio Taniguchi, sabidamente o QI mais alto do governo atual, da retomada das rotinas anteriores especialmente das praticadas em Curitiba. É notável a defasagem e para corrigí-la haveria necessidade de todo um período de gestão. Como a emergência reclama ações para reequilibrar a organicidade da gestão fica extremamente difícil compor cenários de médio e longo prazos.
Na realidade a iniciativa privada, via entidades representativas como Fiep e Faep, estão bem à frente do poder público em relação ao tema e com ações bem descentralizadas para diagnóstico e terapia do processo. O Estado perde essa corrida até por exaustão dos seus quadros e o abandono de hábitos que eram específicos de sua rotina cotidiana.





