Monopólio das pesquisas
A Rede Globo já se mostrou contrária a que a Nielsen entre no ramo da pesquisa de audiência de rádio e televisão hoje praticamente um monopólio do Ibope. A Nielsen se mostra disposta a revelar os ganhos tecnológicos de que dispõe para disputar o mercado.
Se nesse campo há a concentração, ela inexiste por exemplo em outras áreas como a das pesquisas eleitorais e as mais genéricas. É evidente que por manter essa vantagem na sondagem radiofônico-televisiva, e pela imagem que ao longo do tempo construiu, o Ibope se substantivou como a Brahma entre as cervejas. Seria um avanço importantíssimo para o país que essa hegemonia fosse abalada, afinal indispensável a uma sociedade democrática e de mercado competitivo.
E como estamos em tempo de agito eleitoral - e isso fica evidente com a publicação das primeiras sondagens sobre o pleito municipal de 2012 - é hora de avaliar o quanto há de falhas e omissões nas leis que regulam o setor e que não estabelecem sanções a institutos com previsões falhas, o que levou aqui no Paraná o deputado federal Rubens Bueno a questionar essa intangibilidade do Ibope que cometeu um erro brutal em relação a ele numa eleição prefeitural em que obteve 20 pontos quando as pesquisas lhe atribuiam menos de um dígito.

Caso Proconsult
E não apenas institutos de pesquisas mexem e até manipulam eleições. Há organizações especializadas em contagem paralela, às vezes à frente da oficial em termos de tempo, como aconteceu em 1982 na eleição do governo estadual do Rio de Janeiro com a Proconsult que atuava acoplada à Rede Globo. A ação era para favorecer Moreira Franco, candidato chapa branca e dos milicos, em detrimento de Leonel Brizola.
Foi um acompanhamento também paralelo feito em favor do PDT e do seu candidato que apurou as distorções com manipulação clara dos votos nulos e brancos e com apoio na Rádio JB e o ''Jornal do Brasil'' a fraude acabou desmascarada com a vitória do engenheiro Leonel Brizola, repudiado pelos militares por sua ação temerária em 1961 com a Cadeia da Legalidade e o fato de armar civis e mobilizar a Polícia Militar gaúcha.
Aqui no Paraná houve um arremedo de mobilização, cujo objetivo não era o de mexer em números e manipulá-los mas manter atenta a fiscalização. Repetiu-se no caso postura idêntica dos prejudicados com o emprego de tecnologia na apuração paralela por parte dos seguidores de José Richa. Foi na eleição para o Senado em que Richa perdeu numericamente, de Túlio Vargas, candidato oficial, mas com a soma dos votos de Eneas Faria da sublegenda ficou com o mandato e que lhe asseguraria densidade para ganhar, mais tarde, o governo.

Depuração
Indispensável se torna que tanto a questão das pesquisas como a da operação de empresas aptas à apuração paralela sejam previstas em lei para que a sua regulação se torne clara. Se mesmo com todas as cautelas o maior estelionato eleitoral do Paraná, o episódio Ferreirinha, que beneficiou Requião e que nunca foi julgado, já que foi beneficiado pela ''perda de objeto'', ocorreu e a justiça não funcionou é preciso mais reflexão em cima do tema.

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