LUIZ GERALDO MAZZA
Enfim, a periferia
As decisões da Fifa, referentes à Copa do Mundo de 2014, colocaram o Paraná na linha da periferia do futebol brasileiro juntamente com aquelas praças de menor expressão. Foi mais uma evidência claríssima da falta de prestígio de nosso Estado como unidade federativa e dos nossos dirigentes.
Aliás, o Paraná frequenta posições ridículas como a de penúltimo Estado em transferência de recursos federais, a despeito do peso de sua contribuição nas divisas do País. Essa contradição não é de hoje e, mesmo nos períodos em que detínhamos posições ministeriais, dava para perceber que não havia qualquer reciprocidade de nossas perdas com as terras mais agricultáveis do mundo em favor da montagem de usinas hidrelétricas e investimentos da União nem sempre correspondentes ao sentido de nossa participação.
Estamos, por exemplo, com a discussão hoje em torno do royaltie do pré-sal e a última colaboração paranaense relevante na discussão dos critérios de geodésia para definir a localização das bacias foi o projeto do então deputado Gustavo Fruet, dando continuidade ao que fizera seu pai, Maurício, na questão dos dividendos tanto do petróleo como das hidrelétricas. Tirando a atuação de Álvaro Dias como figura máxima de oposição no Senado e de quando em quando a do deputado Osmar Serraglio, com atuação memorável no caso dos mensaleiros, nossa participação é mais centrada no sistema de poder com os ministros Gleisi Hoffmann, Casa Civil, Paulo Bernardo, das Comunicações e Gilberto Carvalho, do gabinete presidencial
Voz da liderança
Já tivemos, esses anos todos, três períodos de Roberto Requião. Ninguém fez estudo sistemático de perdas e ganhos desse ciclo, mas ficou patente que, apesar da proteção que Lula oferecia para impedir a intervenção nos portos, não tínhamos qualquer bônus com a União. Não dá para comparar, embora a boa articulação oratorial do governante, com o sentido de pegada, de convocação, de mobilização que Munhoz da Rocha e Ney Braga expressavam. É preciso ter prestígio e também coragem para encarar no regime militar uma prévia voltada à presidência entre Ney Braga e Costa e Silva. Também indispensável cultura e autoridade moral para um Munhoz da Rocha fazer naufragar a reforma cambial pretendida pelo ministro de Fazenda, José Maria Withaker, no governo Café Filho.
Faltam-nos atitudes, senso de liderança e articulação. Blefes como o bloqueio aos transgênicos mostraram que faltava retaguarda científica e por isso mesmo a causa foi derrotada por ausência de fundamento e excesso de fundamentalismo com os quadros funcionais, xiitas, em dobradinha com os espetaculosos do Green Peace, montando encenações. Isso lembrava as arremetidas do geneticista Lysenko, da União Soviética, a posar como representante da ciência socialista oposto à burguesa do padre Mendell.
A mediocridade do teatro político é uma constante, com discussão inútil como a do suposto corte da fala da presidente e o pingue-pongue semanal da Assembleia. Carecemos de uma chuva torrencial de água benta.





