LUIZ GERALDO MAZZA
Comparação didática
Se o episódio das amarras publicitárias de João Cláudio Derosso se desse em Londrina ele não sairia ileso. Mas na sociedade cartorial de Curitiba ele se acha em condições de pedir abertamente o arquivamento do caso. Até mesmo na instância legislativa não teria moleza: a pressão da opinião pública e a atuação do Ministério Público não permitiriam condescendência. Aliás a Comissão de Ética precisa manter-se firme no ponto de vista do afastamento por 90 dias que já seria um sinal mínimo de vitalidade.
Outra analogia
O ministro do Turismo foi demitido porque pagava com dinheiro público sua assistente. E quando o governador consegue nomear a empregada doméstica como funcionária fantasma da Assembleia Legislativa por que nada acontece?
Pedágio
Requião tentava sugerir distanciamento do pedágio, mas foi ele que autorizou a cobrança na BR-476 entre Araucária e Lapa e também dispensou a duplicação da concessionária das Cataratas. É verdade que sofreu o golpe eleitoral de Lerner com o corte linear de 50% nas tarifas, fichinha perto do caso Ferreirinha.
Médico-dentista
Em qualquer extrato público médico recebe mais do que dentista. O que não pode é o estabelecimento de vantagens desiguais. A tática de mostrar casos excepcionais de dentistas que receberiam até R$ 15 mil é um velho macete da propaganda: confundir a árvore com a floresta como o governo faz quando badala seus feitos ao exibir uma criancinha num posto de saúde como se se referisse a todas. É o fascismo cotidiano que o Ducce fazia melhor que o Ducci.
Folclore
No dia em que se discutia o mundo sem automóvel, o chargista Solda fez duas geniais em blogs: a esperança de um Brasil sem Sarney e Curitiba sem Derosso.
Conflito
Apesar da decisão unânime do Órgão Especial do TJ que fulmina a Urbs essa está orientando seus agentes a manter a sua febril atividade de multar enquanto providencia (a pedido do Tribunal de Contas, segundo declaração do presidente Marcos Isfer à rádio CBN) a licitação da empresa que vai atestar a fidelidade do sistema Consilux, auto-desmoralizado na reportagem do Fantástico. É o parto de novos conflitos em decorrência da decisão judicial.
Galés
Incrível é que apesar de Ongs de direitos humanos, cobradores das estações-tubo sejam obrigados a pagar quando são assaltados. Só falta o hortator que dava, com batidas no bombo, o ritmo das remadas. Não bastasse isso há ainda a paranoia das multas da Urbs em motoristas e cobradores. Se não mantiverem a pressão, como fizeram ontem em assembleia, estarão liquidados.
Uma greve é possível como a dos dentistas, dos Correios, bancários. Sinal de inflação alta ainda mais com o câmbio desfigurado.





