Alguém pensa o Paraná?

Tivemos um feriadão, e com um timbre bem patriótico, para voltar a refletir até sobre essa questão cívica que tanto aparentamos desprezar. Nos tempos do Estado Novo, a ditadura varguista à maneira de outros totalitários, essa semana que passou era de furor cívico. Nada menos de duas passeatas, aí incluído o desfile militar, estavam programadas: a 4 de setembro ''Dia da Raça'' cuidávamos de passar alvaiade no tênis, que nem de longe se pareciam com os sofisticados de agora, para podermos desfilar e no dia 7 havia outro, esse mais imponente.

Numa ditadura como aquela ganhava-se o povo com esse patriotismo paroxístico e nos envolvíamos com os símbolos e as alegorias verde-amarelas e não havia como escapar dos discursos sedutores de Getúlio Vargas. Aliás nas casas ou por onde se andasse havia o retrato do ditador-patriarca e a frase abaixo ''O Brasil confia no Chefe da Nação''. O culto à personalidade não mudou e aqui temos mais de um: a presidente, Dilma, e o seu padrinho antecessor, Lula. Como se vê da mesma forma que se considerava o presidente mais do que isso um chefe da Nação, o culto de pretender encarná-la ainda permanece, prova de que o esforço é para que pensem por nós e a nós resta botar a camisa-de-força da brasilidade.

Corrupção, uma causa

A ausência de inteligência no debate nacional é visível na forma como algumas lideranças do PT, dentre elas o ex-primeiro ministro José Dirceu, procuram subestimar a importância da corrupção no processo brasileiro. E respondem por slogans fazendo referência à União Democrática Nacional, UDN, que fazia da causa o seu principal objetivo na luta contra a aliança popular (falar em frente popular no Brasil como a consideravam os europeus é impossível), isso é PSD-PTB. Se tivéssemos corrupção na escala de hoje (não tínhamos meios de comunicação tão ágeis) os governos cairiam em sequência como fruto maduro que apodreceu. A corrupção se tornou tão comum quanto a violência e isso, de certa maneira, foi anestesiando a população como se ela fosse ínsita, apropriada ao ato de governar, natural como um parto e mais do que isso indispensável para que se chegasse ao conceito preciso de governabilidade. Ela se autojustifica nessa coesão interna da frente que sustenta o governo. O congresso do PT, nosso principal partido, parece que visou justamente chancelar o realismo, o pragmatismo que liquidou a bandeira ética, antes a bandeira maior de identificação do partido. Em lugar da autocrítica, a justificativa que explica porque os idealistas se escondem hoje no PSTU, PSOL e outras legendas, onde há um sentido em buscar uma utopia, o quanto mais longe possível dos acertos e das marotices.

Razões de Estado

Pois hoje a corrupção, de tal maneira é presente nos negócios públicos, que passou a ser vista como ''razão de Estado'' como se impedí-la fosse objetivo impossível. A esperança nos dias que correm é que as instituições afinal assumissem seu papel em decorrência da faxina, isso é aquilo que foi revelado passasse pelos filtros da Procuradoria Geral da República, da Receita Federal, do Tribunal de Contas, enfim dos entes públicos encarregados do monitoramento das coisas públicas.

mockup