Excesso de produção

No meio da semana tivemos a paralisação temporária da Volks na Grande Curitiba sob o fundamento de excesso de produção. Ora as montadoras vinham tendo um excelente desempenho de vendas, e isso em escala nacional, e nada indicava que houvesse um breque nesse processo. Que há sinais fortes de desaquecimento não se pode negar como se já não bastasse a evidência de uma inflação visível nas gôndolas dos supermercados e no cotidiano da prestação de serviços bem como na redução dos negócios imobiliários, cuja ''bolha'' parecia destinada a nova moratória. Em imóveis novos no semestre em São Paulo, olho do furacão do Brasil, houve uma queda significativa em relação a igual período do ano passado: 32% a menos, o que nada tem também de desprezível.


Como compatibilizar no tempo e no espaço o que se está programando como a fábrica de caminhões de Ponta Grossa, a expansão da Renault e os seus acordos
trabalhistas de três anos com mais de R$ 60 mil para os trabalhadores a título de Participação nos Lucros e Resultados, isso sem falar na reabertura da Guerra Fiscal por vários estados, inclusive o Paraná, embora todos advertidos pelo STF de que essa conduta é essencialmente inconstitucional. E não é só: temos outras indústrias da chamada malha produtiva automotiva como as de pneus e peças e acessórios.

Alerta inútil

Quando da vinda das montadoras ao Paraná (a única que falhou em Campo Largo foi a Chrysler mais pela não aceitação do modelo) várias pessoas opinaram: os senadores Roberto Requião e Osmar Dias tentavam a todo custo desvendar o que havia de misterioso nos protocolos assinados. Na verdade uma tolice da gestão Lerner porque um dia o deputado Luis Claudio Romanelli deu em detalhes o que prescreviam esses ajustes que estavam longe de lembrar o fanatismo dos protocolos dos sabios do Sião, quase um segredo de Polichinelo.

Alvaro Dias também participou do debate dando alguns números que assustavam como a existência de um estoque de 17 milhões de veículos nos pátios das montadoras. Tudo o que parecia um Juízo Final era conjuntural, específico para aquele momento que os anos subsequentes contestariam com novos aquecimentos no mercado, tal qual se deu no Brasil, principalmente quando o governo federal adotou a renúncia fiscal como fez com outros bens de consumo durável para manter o pleno emprego dos fatores de produção.

Curitiba saturada

Quando se analisa a questão do plano de circulação da Capital constata-se que à cada semana mais de 900 veículos entram na frota, o que daria um total de 3.600 por mês. Só esse número surpreendente explica e com muita razão a precariedade do sistema e a sua saturação. Binários e rotatórias se exibem como cirurgia quando não passam de cataplasma, de um band aid. Torna-se de certa forma ridícula a discussão da ''mobilidade urbana'' nas condições atuais em função da demanda que teríamos por ocasião da Copa do Mundo em 2014.
Se Curitiba tem com seus níveis de renda essa capacidade de absorção de carros não é difícil transpor esse raciocínio para escala nacional e mundial.
E a racionalidade, como se vê, não é o forte do sistema capitalista.

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