LUIZ GERALDO MAZZA
Eleição plebiscitária
Apesar das vitórias esmagadoras de Beto Richa e do seu grupo tanto no Paraná quanto na Capital o próximo pleito, em função da saída de Gustavo Fruet do PSDB, tem de tudo para ser plebiscitário e o nome pessoal do postulante adverso ter a força de um clamor acima de partidos e líderes. Obviamente vai haver um bom número de postulantes -dentre eles carregadores de votos como Ratinho Júnior, do PSC- mas ninguém encarna a novidade, embora tentada em convenções do PMDB por duas vezes, como o ex-deputado federal.
É claro que a intenção do grupo dominante é valer-se da hegemonia do momento e tentar decidir a parada no primeiro turno. Até lá os majoritários tentarão limpar a lousa de candidaturas diversionistas como a de Rubens Bueno ou a de sua filha, a vereadora Renata, já que o PPS revela muito ciúme pela sedução da bancada do PMDB e isso pode ser resolvido na base das composições.
Embora o momento não seja bom para os ministros Paulo Bernardo e sua esposa, Gleisi Hoffmann, da Casa Civil, a intenção dos pragmáticos do PT passa pela ideia de apoiar Fruet, se possível desde o primeiro turno, mas se não der decide-se a parada no segundo.
O mapa de tudo isso veio na eleição majoriária para o Senado, vencida com extrema facilidade por Gustavo Fruet, embora a notória inlcinação de Beto Richa primeiro pela candidatura de Osmar Dias ao Senado e depois pela ação de
proselitismo desencadeada em favor do pepista Ricardo Barros.
Potencial incalculável
Diz-se com alguma precisão que Fruet é o Lerner de oposição, esse com as suas marcas de criatividade em intervenção urbana desde a presidência do IPPUC até aquelas passagens pela Prefeitura, e aquele por ter ido muito além do pai, Maurício, quanto à intelectualidade e capacidade de pensar e pensar bem.
A ''lavagem cerebral'' processada nos trabalhos de marketing estabeleceram uma identificação entre o reformador e a cidade que prevaleceu em todos os pleitos à exceção do de 1985 quando José Richa comandava e trazia no seu grupo toda a raiz do PMDB, mas também setores de partidos como os de Jaime Canet Júnior e Affonso Camargo e o seu Quartel General desencadeou campanha fortíssima de desconstrução de Lerner e supostos vínculos remanescentes do regime militar. A eleição beneficiou Roberto Requião com uma diferença inferior a 20 mil votos. Mas sua gestão acabou tornando inevitável o retorno de Jaime Lerner em vitória consagradora. Pode-se dizer que o potencial de Fruet é incalculável como se dava com Lerner, daí a identificação.
Talvez seja indispensável a desconstrução do grupo que está no poder para essa vitória em Curitiba e que abre caminho para renovação também no cenário estadual e que nas sondagens de hoje ainda beneficiam Gleisi Hoffmann. Isso não é do estilo pessoal de Gustavo, todavia é possível discutir as questões da cidade com alguma contundência revisora, pois está nítido que o modelo tão decantado entrou em estresse, em fadiga do material, e não apenas, é claro, pelo revezamento do mesmo grupo, o carrossel de cavalinhos do parque.





