LUIZ GERALDO MAZZA
Tudo é espetáculo
Depois do aumento dos professores, a liberação de verbas para a educação (R$ 105 milhões) e a prisão de 251 pessoas em 30 cidades. Em meio a tudo isso o protesto diante da Câmara Municipal de estudantes do interior por causa das denúncias contra o presidente Derosso e mais ainda a manifestação de cobradores e motoristas contra as precárias condições de trabalho em Curitiba, cidade-modelo.
Percebe-se um nexo entre essas coisas: um governo em campanha eleitoral e num ritmo frenético, exasperado. Espetacularizar é preciso como ensinava Roger Gerard Schwatzemberg em ''O Estado Espetáculo''. O grave é que se deu o mínimo destaque ao pedido do Ministério Público para a desaprovação das contas de Requião-Pessuti, ratificadas pela maioria dos conselheiros, a despeito da gravidade das infrações apontadas. Isso se dilui como sempre na rotina e o pior é que o Legislativo não entra com a energia devida na discussão e na votação desse balanço.
Marcação
Tadeu Venéri, por estar vocalizando a oposição em sucessivas denúncias de atos de governo sem licitação, é alvo de marcação cerrada. Até uma ação popular, baseada nas denúncias de Reinhold Stephanes Júnior, foi acolhida na justiça. Se todo oposicionista sofrer esse tipo de cerco aí é que sepultaremos o restinho de democracia. Um poder hegemônico e monolítico é o que há de pior.
Confronto
A campanha que atingiu a cúpula do Legislativo estadual, representada por Nelson Justus e Alexandre Curi, foi bem mais impactante que a sofrida agora por João Claudio Derosso. Aqueles dois políticos responderam com sua reeleição e há quem acredite que hoje Derosso teria dificuldades em conseguí-la. Quanto mais local, mais próximo do povo, como se dá em nível municipal, mais sensível. Com a diluição do eleitorado no interior o efeito é menor.
Mobilidade
Na Curitiba de circulação travada torna-se paradoxal falar em mobilidade urbana, mas houve um debate ontem sobre o tema no Centro Politécnico e uma das evidências é que Curitiba deu a partida para transformações em várias partes do mundo e acabou superada. Com o tempo se descobriu que a estação-tubo, que parecia obra de arte, não funciona e é uma agressão ao usuário e ao operador.
Folclore
Curitiba cultuava os versos de ouro de Pitágoras e o positivismo. Emílio de Menezes atravessa a Praça Osório e um seguidor de Augusto Comte pergunta se ele vai ao apostolado. Resposta: ''vou ao lado oposto!''
Mutirão
Da segunda quinzena de setembro até dezembro de 2012 o Paraná pretende reduzir a fila de cirurgias eletivas com 25 a 30 mil operações. A fila de espera tem 40 mil pessoas, sendo que alguns aguardam a vez há três anos.
Mais uma evidência de que aquilo que cabe ao Estado, como tarefa básica, ele não cumpre.





